Amy Coney Barrett: quem é a juíza conservadora indicada à Suprema Corte dos EUA

A juíza conservadora, além de ser muito diferente de sua antecessora Ruth, concorda com o presidente Donald Trump em assuntos polêmicos. Saiba mais sobre quem é Amy Coney Barret.

Logo após a morte de Ruth Bader Ginsburg, o presidente Donald Trump indicou a juíza Amy Coney Barrett substitui-la na Suprema Corte dos Estados Unidos.

No entanto, essa ainda não é uma decisão estabelecida, pois precisa passar pelo Senado e depois por uma votação na Comissão Judiciária da casa e outra pelo plenário.

Inegavelmente é uma escolha que muitos norte-americanos desaprovam, devido ao perfil conservador da juíza.

 

As razões para o apoio de Trump

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Trump apoia a nomeação de Amy Coney Barret
Imagem: Reprodução / AFP

Atualmente, Trump explora a possibilidade de ampliar o conservadorismo na Corte desde antes da morte de Ginsburg. Uma das razões para isso seria fortalecer a relação com os eleitores de extrema direita, já que as eleições dos Estados Unidos estão próximas. Afinal, o republicano sofre pressão pelo mal resultado nas pesquisas eleitorais.

Assim, em seu pronunciamento, Trump afirmou que Amy Coney Barrett é notável pelo caráter e intelecto e qualificação para o trabalho.

“Se confirmada, ela fará a história como a primeira mãe de crianças em idade escolar a servir na Suprema Corte”, disse Trump, ao lado de Barrett.

Logo após, o presidente mencionou o nome dos filhos da juíza e reforçou a idoneidade de Amy. “Ela irá decidir (casos) baseada no texto da Constituição como escrito”, disse Trump.

 

Quem é Amy Coney Barrett

Nascida em New Orleans (Louisiana), Coney Barret tem 48 anos, é esposa de um ex-procurador dos Estados Unidos. Também é mãe de sete filhos – de idades entre 8 e 19 anos, incluindo duas crianças adotadas do Haiti e uma com síndrome de Down.

Junto do marido, faz parte da comunidade católica People of Praise, movimento de renovação carismática com base em South Bend, Indiana. Desse modo, críticos e alguns ex-membros veem o grupo religioso como uma seita reacionária e autoritária que mescla elementos do catolicismo com o neopentecostalismo.

Amy Coney Barrett se formou em Direito na Universidade de Notre Dame, em Indiana, no ano de 1997. Então, trabalhou em uma firma de advocacia e depois, em 2002, se tornou professora de Direito na mesma instituição.

Atualmente, ela é juíza do 7ª Circuito de Corte de Apelações dos EUA e professora de Direito na Universidade de Notre Dame desde 2017. Ela entrou sob a administração republicana que sucedeu Barack Obama.

Sem dúvida, um dos traços do perfil da juíza que mais causou alvoroço é o seu conservadorismo. Além de ser muito diferente de Ruth, que tinha histórico progressista e era ícone do feminismo, Amy Coney Barrett concorda com Trump em assuntos polêmicos.

Ela é a favor do porte de armas e da política migratória linha-dura. Além disso, tem posições contrárias ao aborto e levanta questionamentos sobre o Obamacare.

 

O conservadorismo de Amy Coney Barret gera polêmica

Com Barrett, os conservadores americanos enxergam uma força para reverter bandeiras progressistas, como o direito ao aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e leis que restringem posse e porte de armas, por exemplo.

A posição de Amy Coney Barrett a respeito da relação de fé e lei estimulou o apoio de defensores de extrema direita sobre a sua nomeação. Ela é católica e demonstra posições conservadoras com relação a porte de armas, imigração e aborto.

 

Posicionamento de Amy Coney Barrett contra o aborto
Imagem: Reprodução / Unsplash

Inclusive, ela trabalhou para Antonin Scalia, juiz da Suprema Corte que morreu em 2016 e a quem considera um mentor. Ele também era católico e uma das vozes mais proeminentes do conservadorismo americano na Suprema Corte.

Em três décadas na Suprema Corte, Scalia foi a favor da pena de morte e argumentou que a Constituição não garantia direitos como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele ainda apoiou o direito de acesso a armas pela população.

Assim também, acreditam que Amy Coney Barrett pode se opor ao direito ao aborto, legalizado nos EUA desde 1973. Afinal, em 2013, a jurista disse que a vida “começa com a concepção”.

Ainda, que influenciaria na manutenção do Affordable Care Act, conhecido como Obamacare. Essa é uma lei que controla o preço e expande os planos de saúde para uma maior parcela da população.

 

A influência da fé em seus julgamentos

Em entrevista ao Daily Signal, questionaram Amy Coney Barrett sobre a influência de sua fé nos julgamentos. Logo, Barrett negou que deixaria isso acontecer. Ainda, ressaltou que, para ela, todos têm convicções, independentemente da fé.

 

A fé nos julgamentos de Amy Coney Barrett
Imagem: Reprodução / Pixabay

 

Segundo sua declaração ao periódico, “Não acho que a fé deva influenciar a maneira como um juiz decide os casos. Como eu disse, não acho que um juiz deva torcer a lei para alinhá-la ou para ajudá-la a corresponder de alguma forma às próprias convicções do juiz. E isso é verdade, sejam elas derivadas da fé ou, todo mundo tem convicções, todo mundo tem crenças. Isso não é exclusivo para pessoas que têm fé”, afirmou.

 

Os democratas querem impedir a posse de Amy

 

Imediatamente, a indicação de Amy Coney Barrett provocou alvoroço entre os democratas. Muitos questionaram a oposição da juíza ao Obamacare fazendo referência à Covid-19 e ao caos que poderia surgir se retirarem opções de assistência médica de milhões de norte-americanos.

O então candidato democrata à presidência, Joe Biden, disse que “mesmo agora, em meio a uma pandemia global, o governo Trump está pedindo à Suprema Corte dos Estados Unidos que anule toda a lei, incluindo suas proteções para pessoas com doenças pré-existentes”.

Os democratas estão avaliando uma série de opções com o propósito de enquadrar sua oposição à indicação da juíza Barrett.  Ainda, levantaram discussão a respeito de suas declarações sobre a legalização do aborto.

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