O que esperar da inflação da energia elétrica para 2021

Enfim deixamos 2020 para trás e damos os primeiros passos em 2021. A torcida pela recuperação econômica continua forte. Enquanto o setor industrial conseguiu retomar sua atividade no segundo semestre de 2020, o setor de serviços e o mercado de trabalho continuam em níveis bastante deprimidos. O consumo de energia elétrica confirmou sua resiliência, mas os aumentos de tarifa mostram sua a conta para a sociedade brasileira. Terminamos 2020 com forte alta na conta de luz devido a implementação da bandeira tarifária vermelha nível 2.

Atenção para o início do ano com bandeira amarela

Janeiro de 2021 terá as contas de luz com bandeira amarela, conforme decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com isso, o preço da energia aumenta em R$ 1,34 para cada 100 quilowatts consumidos por hora.

O valor é menor do que aquele do mês passado, quando tivemos a bandeira vermelha. Em dezembro tivemos um aumento de preço de R$ 6,2 para cada 100 quilowatts consumidos por hora. Nesse sentido, a Aneel informou ter identificado melhoria no cenário de produção hidrelétrica com elevação das vazões dos afluentes dos principais reservatórios.

No entanto, nos últimos 4 anos, tivemos bandeira verde em 2017, 2018 e 2019. E bandeira amarela, em 2020 e novamente em 2021.

 

A projeção conservadora do Banco Central traz alento

O Banco Central confirmou sua expectativa de controle da inflação em torno de 3,4% para os próximos 3 anos. Inclusive, a energia elétrica contribui de forma positiva para atenuar eventuais pressões inflacionárias. Isso, porque, o Banco Central espera bandeira vermelha patamar 1 para o fim de 2021. E de forma, mais conservadora, bandeira amarela para os finais de 2022 e de 2023.

Novamente, analisando os últimos 48 meses (4 anos), tivemos menos da metade dos meses com bandeira verde. Se excluirmos 2020, no qual o sistema de bandeira ficou suspenso devido a pandemia, teremos cerca de 1/3 dos meses com bandeira verde.

 

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Acompanhe os sinais do mercado para proteger da energia elétrica mais cara

Os aumentos tarifários de energia elétrica devem continuar superando a inflação. Os impactos são imediatos no custo das empresas e no orçamento das famílias. Diversos fatores corroboram com a tendência de elevação. Desde fatores climáticos como La Ninã que muda o regime de chuvas e intensifica a necessidade de despacho de energia térmica. Até fatores como aumento de custos e encargos setoriais relacionados a conta COVID de R$ 16,1 bilhões que serão amortizados até 2025. Além é claro, de reajustes de custos diretos da cadeia de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Segundo, a Aneel, o aumento da tarifa somente de transmissão de energia para o ciclo 2020-2021 é de 26,6%. Somente essa parcela de aumento representa um acréscimo de cerca de 3,9% na conta dos brasileiros no ano que vem.

De fato, devemos nos atentar aos sinais de mercado. Por exemplo, os primeiros sinais preocupantes vieram em outubro de 2020, quando o governo acionou termoelétricas e autorizou a importação de energia para poupar as hidrelétricas. Em dezembro, a Aneel autorizou a tarifa bandeira vermelha, a mais cada de todas, que eleva a conta de consumidores residenciais, comerciais e industriais. Uma eventual retomada da economia mais forte em 2021 pode deixar nossos gargalos de infraestrutura ainda mais evidentes.

Nesse sentido, o mercado busca novas soluções para reduzir o consumo através de iniciativas de eficiência energética e para gerar sua própria energia elétrica. Iniciativas de automação e inteligência artificial para as empresas são cada vez mais frequentes. Além disso, energia renovável solar por assinatura desponta com uma interessante opção para residências, estabelecimento comerciais e pequenas indústrias.

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