Nos Tempos do Imperador: na vida real, cólera matou milhares no Brasil

Últimos casos no país foram registrados em 2005

Nos Tempos do Imperador, atual novela das seis da Globo, começou a mostrar a primeira epidemia de cólera no Brasil. Assim como a trama irá retratar nos próximos capítulos, dezenas de milhares de brasileiros foram mortos pela doença ao longo das décadas, durante as sete ondas da enfermidade que atingiram o país.

Como foi a 1ª pandemia de cólera no Brasil?

Conforme mostrado na trama escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão em Nos Tempos do Imperador, a cólera chegou ao Brasil durante o reinado de Dom Pedro II, entre 1840 e 1889, e matou mais de 150 mil pessoas no país.

Ao longo da história do mundo, houve sete ondas da pandemia da doença.  No Brasil, a enfermidade chegou quando a cólera estava em sua terceira onda.

Segundo artigo publicado pela Fiocruz, publicado em maio de 2020 pelas historiadoras Kaori Kodama e Tânia Salgado Pimenta, a primeira onda da doença no país afetou grande parte da população, principalmente os mais marginalizados, como estrangeiros imigrantes, escravos e afrodescendentes.

O início da pandemia no Brasil foi iniciada com a chegada de uma embarcação de imigrantes que vieram do Porto doentes. Um relatório de Rego aponta que 4.828 pessoas na cidade do Rio de Janeiro morreram vítimas da doença, sendo 47,4% das vítimas nascidas na África.

A doença se espalhou por todo o Brasil. A primeira onda atingiu o Rio de Janeiro entre julho de 1855 a junho de 1856, mas em locais como o Ceará, a doença perdurou até 1862. Durante a Guerra do Paraguai, em 1867, houve um novo pico da enfermidade.

Ainda segundo o artigo, relatórios oficiais apontam que 150 mil brasileiros morreram na primeira onda da doença, mas também há um considerável número de subnotificações.

A última epidemia de cólera no país começou em 1991, vinda pela fronteira do Amazonas com o Peru. A doença atingiu toda a região Norte e Nordeste, e em 1993, se espalhou pelo Sudeste e Sul. Em 1995, houve uma diminuição de casos no país, e em 2002 e 2003, não houve registros.

Em 2004 foram registrados 21 casos e em 2005, cinco pessoas foram infectadas, sendo os últimos autóctones, ou seja, que pegaram a doença dentro do país. A partir de 2006, o Brasil registrou apenas três casos importados de cólera: um vindo da Angola (2006); outro em 2011, de uma pessoa vinda da República Dominicana; e o último em 2016, caso importado de Moçambique.

De acordo com  informações publicadas pela revista Exame, em janeiro de 2020, é estimado que a cada ano, 143 mil pessoas morram de cólera em todo o mundo. O último dado disponível é de 2016, quando houve 132 mil casos e 2.420 mortes, mas a OMS considera que há subnotificações devido a doença afetar principalmente países que não são desenvolvidos.

Quem vai morrer de cólera em Nos Tempos do Imperador?

A cólera vai matar alguns personagens em Nos Tempos do Imperador. Batista (Ernani Moraes) será infectado pela doença ao longo dos próximos capítulos e ficará em estado grave. O marido de Lota (Paula Cohen) não vai resistir e falecerá nos braços de sua amante Lupita (Roberta Rodrigues). Irmã Clarice (atriz não divulgada) também é mais uma vítima da doença.

A Condessa de Barral Luísa (Mariana Ximenes) também é infectada. A Condessa contraiu cólera após comer uma manga que comprou na rua, que não estava higienizada. A preceptora das princesas ficará com a saúde bem debilitada, mas conseguirá se recuperar da doença.

Jamil (Blaise Musipere), um dos escravos amigos de Guebo (Maicon Rodrigues), foi um dos primeiros a apresentar sintomas da doença e segue recebendo os cuidados de Pilar (Gabriela Medvedovski) na Ordem Terceira.

Luísa vai morrer em nos tempos do imperador
Luísa (mariana ximenes) desmaia com sintomas de cólera – foto: reprodução/globo

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