Relembre as melhores novelas de Benedito Ruy Barbosa
Autor escreveu grandes sucessos, como a novela Pantanal
Benedito Ruy Barbosa Benedito Ruy Barbosa - Foto: TV Globo / João Miguel Júnior
Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, deixou uma obra que atravessou gerações e ajudou a transformar o modo como o Brasil rural apareceu na televisão com suas novelas. O autor morreu nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, aos 95 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hcor, onde tratava complicações de um quadro de insuficiência renal crônica.
Quais novelas Benedito Ruy Barbosa escreveu?
O Autor de novelas Benedito Ruy Barbosa escreveu as Pantanal, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra, Sinhá Moça, Cabocla e Velho Chico, mas a lista não para por aí. Entre os títulos mais lembrados estão:
Meu Pedacinho de Chão foi uma das primeiras novelas do autor na Globo e já mostrava seu interesse pelo universo rural. A obra ganhou uma nova versão em 2014, com visual lúdico e linguagem diferente, mas mantendo a essência da história original.
Cabocla, exibida em 1979, é outro exemplo do estilo do autor. Ambientada no interior, a novela mistura romance, política local e conflitos sociais. A trama também ganhou remake em 2004.
Paraíso, de 1982, reforçou a ligação de Benedito com histórias sertanejas, personagens religiosos e amores atravessados por crenças populares. A novela ganhou uma nova versão em 2009.
Sinhá Moça, exibida em 1986, abordou o período da escravidão no Brasil e se tornou uma das obras mais conhecidas do autor. O folhetim também ganhou remake em 2006.
Pantanal, exibida originalmente em 1990 pela TV Manchete, é um dos maiores fenômenos da carreira de Benedito Ruy Barbosa. A novela levou para a televisão aberta uma estética diferente, com longas cenas externas, paisagens naturais e uma narrativa fortemente conectada à natureza. A história de Juma Marruá, Jove, José Leôncio e do Velho do Rio entrou para a memória afetiva do público brasileiro.
Depois do sucesso de Pantanal, Benedito voltou à Globo e escreveu Renascer, exibida em 1993. A novela se passa na zona cacaueira da Bahia e acompanha a trajetória de José Inocêncio, personagem que se torna um poderoso fazendeiro depois de sobreviver a uma emboscada. A trama misturou drama familiar, misticismo, poder e disputas entre pais e filhos.
Em 1996, veio O Rei do Gado, uma das novelas mais populares da década. A história colocou no centro da narrativa a rivalidade entre as famílias Mezenga e Berdinazi, além de discutir reforma agrária, política, concentração de terras e relações familiares. A novela marcou época com personagens como Bruno Mezenga, Luana, Geremias Berdinazi e o senador Caxias.
Já Terra Nostra, exibida a partir de 1999, abordou a imigração italiana no Brasil. A novela acompanhou a chegada de imigrantes ao país, os desafios do trabalho nas fazendas e o romance entre Matteo e Giuliana. O tema da imigração sempre teve espaço na obra do autor, especialmente pela influência das comunidades italianas que conheceu no interior paulista.
Nos anos 2000, Benedito ainda assinou Esperança, Mad Maria e Velho Chico. Esta última, exibida em 2016, foi sua última novela original na Globo e retomou temas frequentes em sua obra: famílias poderosas, disputas políticas, amores marcados pelo tempo e a relação do homem com o rio e a terra.
Por que Benedito Ruy Barbosa marcou a televisão?
A principal marca de Benedito Ruy Barbosa foi transformar o interior do Brasil em protagonista. Em suas novelas, o campo não aparecia apenas como cenário bonito. Ele era o lugar onde se formavam os conflitos, os amores, as alianças e as tragédias. O autor deu destaque a trabalhadores rurais, fazendeiros, boiadeiros, imigrantes, coronéis, peões, mulheres fortes e famílias marcadas por segredos.
Outro traço importante era a construção de sagas familiares. Benedito gostava de contar histórias longas, com passagem de tempo, filhos que herdavam dores dos pais e personagens que precisavam enfrentar o passado para seguir em frente. Por isso, muitas de suas novelas continuam funcionando mesmo décadas depois da primeira exibição.
A força dos remakes ajuda a explicar essa permanência. Pantanal, refeita pela Globo em 2022, apresentou a história a uma nova geração e teve grande repercussão. Renascer, adaptada novamente em 2024 por Bruno Luperi, neto de Benedito, também reacendeu o interesse pela obra original. Esses retornos mostraram que os temas criados pelo autor ainda dialogam com o público: família, ambição, culpa, amor, natureza e pertencimento.
Lista de novelas de Benedito Ruy Barbosa
Entre as principais novelas escritas por Benedito Ruy Barbosa estão:
Somos Todos Irmãos;
O Anjo e o Vagabundo;
Meu Pedacinho de Chão;
O Feijão e o Sonho;
À Sombra dos Laranjais;
Cabocla;
Os Imigrantes;
Paraíso;
Voltei pra Você;
De Quina pra Lua;
Sinhá Moça;
Vida Nova;
Pantanal;
Renascer;
O Rei do Gado;
Terra Nostra;
Esperança;
Mad Maria;
Velho Chico.
Também tiveram novas versões obras como Cabocla, Sinhá Moça, Paraíso, Meu Pedacinho de Chão, Pantanal e Renascer, o que reforça a importância do autor para a memória da televisão brasileira.
Qual foi a última novela de Benedito Ruy Barbosa?
A última novela original de Benedito Ruy Barbosa na Globo foi Velho Chico, exibida em 2016. A trama foi ambientada na região do rio São Francisco e tratou de disputas familiares, política local, coronelismo e amores atravessados pelo tempo. A obra também ficou marcada pela morte do ator Domingos Montagner, intérprete de Santo, durante as gravações da reta final.
Mesmo após Velho Chico, o nome de Benedito continuou presente na televisão por causa das adaptações de suas obras. O remake de Pantanal foi assinado por Bruno Luperi, seu neto, que também ficou responsável pela nova versão de Renascer. Assim, a dramaturgia criada por Benedito passou a ser revisitada dentro da própria família, mantendo viva uma assinatura narrativa reconhecida pelo público.
De Pantanal a O Rei do Gado, de Renascer a Terra Nostra, sua obra permanece como parte da história da TV brasileira. Benedito Ruy Barbosa não escreveu apenas novelas de sucesso. Ele ajudou a construir uma maneira de contar o Brasil pela televisão.