Boletim Focus hoje: mercado eleva inflação pela 14ª semana e vê Selic maior em 2026
Boletim Focus mostra alta na previsão da inflação, da Selic e do dólar em 2026.
Boletim do Banco Central - Getty
O Boletim Focus de hoje, divulgado pelo Banco Central com data de referência de 12 de junho de 2026, trouxe uma nova piora nas expectativas do mercado financeiro para a inflação e para os juros no Brasil. A mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, na 14ª semana seguida de alta.
A mudança ocorre em uma semana decisiva para a política monetária, já que o mercado acompanha a próxima decisão do Copom sobre a taxa Selic. No Focus, a previsão para a Selic no fim de 2026 avançou de 13,50% para 13,75% ao ano, o segundo aumento consecutivo na estimativa.
O relatório também mostrou alta na projeção para o dólar e leve melhora na expectativa para o crescimento da economia. A estimativa para o PIB de 2026 passou de 1,91% para 1,96%, enquanto o câmbio previsto para o fim do ano subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20.
Inflação prevista para 2026 sobe para 5,30%
A principal mudança do Focus desta semana foi a nova alta na projeção do IPCA, índice oficial de inflação do país. Para 2026, a previsão passou de 5,11% para 5,30%.
Há quatro semanas, a estimativa estava em 4,92%, o que mostra uma deterioração gradual das expectativas. A alta atual representa a 14ª semana consecutiva de avanço na projeção para a inflação deste ano.
Para os anos seguintes, o mercado também revisou os números:
IPCA em 2027: passou de 4,03% para 4,10%;
IPCA em 2028: subiu de 3,65% para 3,68%;
IPCA em 2029: ficou estável em 3,50%.
A alta nas expectativas de inflação reduz o espaço para queda dos juros, já que o Banco Central tende a manter uma política mais cautelosa quando os preços seguem pressionados.
Selic deve terminar 2026 em 13,75%, aponta Focus
A previsão para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75% ao ano. Há quatro semanas, a estimativa era de 13,25%, segundo o relatório do Banco Central.
Para 2027, o mercado também elevou a projeção, de 11,50% para 12,00% ao ano. Em 2028, a estimativa passou de 10,00% para 10,25%. Para 2029, a mediana permaneceu em 10,00% ao ano.
A Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela influencia empréstimos, financiamentos, cartão de crédito, investimentos de renda fixa e o custo de captação das empresas.
Dólar sobe para R$ 5,20 no fim de 2026
O Focus também trouxe revisão para o câmbio. A previsão para o dólar no fim de 2026 passou de R$ 5,15 para R$ 5,20.
Para 2027, a estimativa subiu de R$ 5,20 para R$ 5,25. Em 2028, permaneceu em R$ 5,30. Já para 2029, avançou de R$ 5,35 para R$ 5,40.
A alta do dólar projetado pode pressionar preços de produtos importados, combustíveis, insumos industriais e alimentos ligados a commodities.
PIB tem leve melhora na projeção do mercado
Na contramão da piora em inflação, juros e câmbio, a estimativa para o crescimento da economia brasileira melhorou.
A projeção para o PIB de 2026 passou de 1,91% para 1,96%, na quarta semana seguida de alta. Há quatro semanas, a previsão estava em 1,85%.
Para 2027, a estimativa ficou estável em 1,70%. Para 2028 e 2029, o mercado manteve a projeção de crescimento em 2,00% ao ano.
Projeções do Boletim Focus hoje
Veja os principais números do relatório:
IPCA 2026: 5,30%
PIB 2026: 1,96%
Dólar em 2026: R$ 5,20
Selic em 2026: 13,75% ao ano
IGP-M 2026: 6,22%
Balança comercial 2026: US$ 76,20 bilhões
Investimento direto no país 2026: US$ 75 bilhões
Dívida líquida do setor público 2026: 69,80% do PIB
Os dados são medianas das expectativas coletadas pelo Banco Central junto ao mercado financeiro.
Por que o Focus de hoje importa?
O Boletim Focus desta semana reforça a leitura de que o mercado espera juros altos por mais tempo. A combinação de inflação mais elevada, dólar em alta e Selic projetada acima da semana anterior aumenta a pressão sobre o Banco Central.
Para o consumidor, esse cenário significa crédito mais caro e menor alívio em financiamentos e empréstimos. Para investidores, a renda fixa segue favorecida por juros elevados, enquanto a bolsa tende a reagir às expectativas sobre inflação, câmbio e decisões do Copom de junho.
Do ponto de vista econômico, o relatório mostra um quadro misto: o PIB melhora levemente, mas a inflação segue distante de um patamar confortável, o que mantém a cautela sobre os próximos passos da política monetária.
O Boletim Focus é um relatório do Banco Central que reúne as expectativas de economistas e instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.
Entre os dados acompanhados estão inflação, taxa Selic, Produto Interno Bruto, dólar, balança comercial, dívida pública e contas externas. Por isso, o documento é usado como um termômetro do mercado e ajuda a mostrar como analistas enxergam o rumo da economia nos próximos meses e anos.