Bolsa Família pode ser mantido durante pedido do BPC no INSS em 2026; entenda a nova regra
Veja como funciona para receber os benefícios
Foto: arquivo
Famílias que recebem o Bolsa Família e têm direito potencial ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) passaram a contar com uma alternativa para solicitar o benefício assistencial sem precisar cancelar antecipadamente o programa de transferência de renda. A possibilidade foi regulamentada pelo governo federal em 2026 e permite que o desligamento voluntário do Bolsa Família seja autorizado durante o próprio pedido do BPC.
A mudança interessa principalmente às famílias em que o valor recebido pelo Bolsa Família faz com que a renda por pessoa ultrapasse o limite estabelecido para o BPC. Nessa situação, o responsável familiar pode autorizar o desligamento do programa para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) faça uma nova avaliação da renda.
A medida foi detalhada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) em outubro de 2026. Segundo o governo, a família não precisa cancelar o Bolsa Família antes de entrar com o pedido do benefício assistencial.
Como funciona a nova regra para quem recebe Bolsa Família
O Bolsa Família passou a integrar o cálculo da renda utilizada para avaliar o direito ao BPC depois das mudanças promovidas pela Lei nº 15.077/2024. Com isso, o benefício de transferência de renda pode fazer com que uma família ultrapasse o limite de renda exigido para a concessão do benefício assistencial.
Para evitar que o cidadão precise abrir mão do Bolsa Família antes mesmo de saber se terá o BPC aprovado, o governo criou o mecanismo de desligamento voluntário durante o requerimento.
Na prática, o interessado pode informar no momento da solicitação que é o responsável familiar registrado no Bolsa Família e autorizar voluntariamente seu desligamento. O INSS então verifica a composição familiar e os rendimentos considerados no cálculo.
O ponto central da regra é que o Bolsa Família precisa ser o único fator que faz a renda familiar ultrapassar o limite de acesso ao BPC. Não basta simplesmente receber o programa para ter o valor retirado da conta.
Se o INSS identificar outros rendimentos que também façam a renda familiar superar o limite, o pedido seguirá as regras normais de análise e a retirada do Bolsa Família não será suficiente para enquadrar o solicitante.
A autorização também não significa que o pagamento do Bolsa Família será interrompido imediatamente. Enquanto o pedido do BPC estiver em análise, o programa pode continuar sendo pago, desde que a família permaneça cumprindo suas regras de permanência.
Quem pode receber o BPC em 2026
O Benefício de Prestação Continuada é destinado à pessoa com 65 anos ou mais ou à pessoa com deficiência de qualquer idade que esteja em situação de baixa renda e cumpra os demais requisitos previstos na legislação.
Diferentemente da aposentadoria, o BPC não exige um período mínimo de contribuição ao INSS. O benefício garante o pagamento mensal de um salário mínimo.
Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621. Esse é, portanto, o valor mensal do BPC neste ano.
Um dos principais critérios para a concessão é a renda familiar por pessoa. O limite básico corresponde a 1/4 do salário mínimo, o que representa R$ 405,25 por integrante da família em 2026.
O cálculo não considera simplesmente todas as pessoas que vivem no mesmo endereço. O conceito de grupo familiar utilizado no BPC segue regras próprias e determina quais integrantes devem ser considerados na apuração da renda.
Também existem rendimentos que podem ser excluídos do cálculo conforme a legislação. Por isso, ultrapassar R$ 405,25 por pessoa em uma conta simples não significa necessariamente que o BPC será negado.
Além da renda, a pessoa precisa cumprir os demais critérios do benefício. No caso da pessoa com deficiência, por exemplo, existe avaliação específica para verificar a condição exigida para o BPC.
O que acontece com o Bolsa Família durante a análise do BPC
A principal preocupação de muitas famílias é perder o Bolsa Família antes de saber se o BPC será concedido. A regulamentação de 2026 busca justamente evitar esse cenário.
O pedido pode ser feito sem o cancelamento prévio do programa. Durante a análise, o Bolsa Família continua sendo pago normalmente enquanto a família estiver dentro das regras de permanência.
Se o INSS verificar que o valor do Bolsa Família é o único elemento que impede o enquadramento na renda exigida para o BPC, o valor deixa de ser considerado para essa análise, conforme a autorização de desligamento realizada no requerimento.
Caso o BPC seja concedido, ocorre o desligamento do Bolsa Família conforme as regras estabelecidas para a transição entre os benefícios.
Existe ainda uma questão envolvendo os valores retroativos. O BPC, quando concedido, pode gerar pagamentos referentes ao período desde a data do requerimento. Entretanto, os valores de Bolsa Família recebidos durante o período correspondente podem ser descontados dos valores atrasados do BPC para evitar pagamento acumulado dos dois benefícios pelo mesmo período.
O próprio INSS informa que, após a concessão, a diferença eventualmente devida depois dos descontos relacionados ao Bolsa Família pode ser paga em até dez meses.
Por outro lado, se o BPC for negado, a simples solicitação do benefício não significa que a família perderá automaticamente o Bolsa Família. O pagamento pode continuar, desde que o grupo familiar permaneça enquadrado nas regras do programa.
Como pedir o BPC e o que acontece depois
O requerimento pode ser realizado pelos canais oficiais do INSS, incluindo o aplicativo ou site Meu INSS, a Central 135 e as unidades de atendimento do instituto.
No caso da família que recebe Bolsa Família, é necessário observar uma condição específica: a pessoa que autorizar o desligamento voluntário precisa ser o responsável familiar registrado no programa, conforme as regras divulgadas pelo governo.
Depois do protocolo, o INSS realiza a análise das informações disponíveis nos sistemas oficiais. A renda familiar, a composição do grupo e os demais requisitos do BPC são verificados antes da decisão.
A família deve manter o Cadastro Único atualizado, já que as informações cadastrais são utilizadas na avaliação dos benefícios sociais.
Caso o BPC seja concedido, o Bolsa Família será encerrado conforme as regras da transição. Se o benefício assistencial não for concedido, a família pode continuar no programa de transferência de renda caso permaneça elegível.
O governo também prevê o chamado Retorno Garantido para famílias que deixaram voluntariamente o Bolsa Família e posteriormente voltaram a atender aos critérios de entrada. Pelas regras divulgadas pelo MDS, o retorno pode ser solicitado em até três anos após o desligamento, desde que os requisitos sejam novamente atendidos e o cadastro esteja atualizado.
A orientação, portanto, é que o beneficiário não faça um cancelamento antecipado por conta própria antes de solicitar o BPC. A própria regulamentação permite que a autorização seja feita durante o requerimento, deixando para o INSS a análise da situação familiar e da renda.
Fontes: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); legislação federal vigente em 2026.