Comentário de Jair Bolsonaro faz ações da Petrobras caírem 5%

Presidente Jair Bolsonaro afirmou durante live nas redes sociais que ‘algo deve acontecer na Petrobras nos próximos dias’. Ele também citou a palavra ‘consequência’ em relação ao posicionamento do CEO da estatal, Roberto Castello Branco.

As ações da Petrobras estão enfrentando uma forte queda nesta sexta-feira, 19 de fevereiro. O Ibovespa, principal índice de bolsa do país, registrou, até o momento, um recuo de 5,53% das ações da empresa estatal. Isso acontece após declarações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a Petrobras, que anunciou um novo reajuste dos preços dos combustíveis.

Bolsonaro criticou o posicionamento do presidente da Petrobras, e também anunciou uma nova medida no imposto do combustível diesel a partir do próximo mês de março. As falas do presidente aconteceram durante uma live em suas redes sociais na noite da última quinta-feira (18/02).

Fala de Jair Bolsonaro é interpretada como ‘ameaça’

Imagem mostra presidente Jair Bolsonaro. Declaração do presidente altera ações da Petrobras
Bolsonaro discursa no palácio do Planalto (Foto: Alan Santos/PR)

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Globo, o mercado interpretou as declarações de Jair Bolsonaro como uma ameaça à independência da Petrobras. Confira abaixo o que disse o presidente sobre a decisão da empresa de aumentar os preços dos combustíveis vendidos para as refinarias.

“Vamos estudar uma maneira definitiva de zerar esse imposto no diesel, até para ajudar a balancear esse aumento, no meu entender, excessivo da Petrobras. Eu não posso interferir na Petrobras, nem iria interferir, se bem que alguma coisa vai acontecer nos próximos dias. Você tem que mudar alguma coisa, vai acontecer.”

Jair Bolsonaro também citou a palavra “consequência” em seu discurso sobre a Petrobras, o que chamou atenção dos especialistas. “O presidente disse ‘não é obrigação minha’. Foi o que ele falou: ‘não tenho nada a ver com caminheiro, eu aumento o preço aqui e não tenho nada a ver’. Foi o que ele falou, isso vai ter uma consequência obviamente, não tenho nada a ver com isso”, acrescentou.

Preço da gasolina e do diesel

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A Petrobras anunciou o 4º aumento em 2021, dos preços médios de venda de gasolina e diesel às distribuidoras. Os novos valores já estão valendo nesta sexta-feira (19/02), segundo a estatal. O litro da gasolina custa R$ 2,48, indicando um aumento médio de R$ 0,23. Já o diesel passa a ser vendido no valor de R$ 2,58 por litro, consequentemente, um aumento médio de R$ 0,34.

Segundo o economista entrevistado pelo DCI, Luciano Simões, o aumento dos preços dos combustíveis é um reflexo do desempenho da Petrobras em relação à concorrência. O custo de produção deve aumentar mais ao longo do ano, o que vai impactar também no preço final. Luciano afirma que o aumento deve chegar, ao todo, em 20%.

Relação do governo Bolsonaro e Petrobras

No início do mês, Jair Bolsonaro se reuniu com Roberto Castello Branco, atual presidente da Petrobras. Os dois chegaram a conversar e negociar sobre o desejo do governo de alterar a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis.

Na ocasião, Bolsonaro declarou que o governo federal não possuía intenção de intervir nos preços de refinarias da estatal. Para ele, respeitar o controle de preços ditos pela Petrobras é um “compromisso”. “Jamais controlaremos preços da Petrobras. A Petrobras está inserida em contexto mundial de políticas próprias, e nós a respeitamos”, afirmou.

O que vai mudar?

Imagem mostra carro sendo abastecido em posto
(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Caso seja aprovada a mudança do ICMS, que ainda deve passar por votação no Congresso Nacional, um valor fixo será estimado para a cobrança do imposto de combustíveis, esta que hoje é estadual, ou seja, cada estado federal possui um valor sobre a tarifa.

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No caso dos combustíveis, oICMS é cobrado no momento da venda do combustível no posto de gasolina, e cada estado pratica uma porcentagem própria. O valor na bomba é maior que nas refinarias e a variação do preço pode gerar instabilidade econômica e até mesmo greves, como a dos caminhoneiros de 2018.

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