De quem é a culpa? Boulos e Tarcísio trocam acusações sobre ICMS da gasolina
Gasolina e gás terão reajuste em São Paulo
O aumento do imposto sobre combustíveis para 2027 abriu mais uma frente de confronto entre integrantes do governo Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Desta vez, o ministro Guilherme Boulos (PSOL) questionou a posição do chefe do Executivo paulista sobre o reajuste do ICMS. A resposta veio em tom de cobrança, com o governador acusando o ministro de omitir informações sobre a decisão.
A discussão ganhou força nas redes sociais nesta segunda-feira (2). Boulos publicou um vídeo em que relacionou a aprovação do aumento à postura adotada por Tarcísio durante a campanha eleitoral. Para o ministro, existe uma contradição entre as críticas feitas anteriormente aos impostos e o apoio à nova cobrança.
A declaração provocou uma reação do governador, que lembrou que a mudança não foi decidida individualmente pelo governo paulista. O reajuste passou pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão que reúne representantes das administrações estaduais e do Distrito Federal.
O que motivou a discussão entre Boulos e Tarcísio?
O ponto central da divergência é a participação de São Paulo na aprovação do aumento do ICMS. Boulos questionou o governador por ter apoiado uma medida que elevará a tributação de produtos como gasolina e diesel.
Na publicação, o ministro associou a decisão ao discurso adotado por políticos ligados ao bolsonarismo durante as eleições. Ele também cobrou uma mudança de postura de Tarcísio diante do impacto que o reajuste poderá provocar no orçamento dos brasileiros.
O governador respondeu por meio de um comunicado. Na manifestação, afirmou que a aprovação ocorreu por unanimidade no Confaz, inclusive com votos favoráveis de estados administrados pelo PT.
Tarcísio citou especificamente Bahia, Ceará e Piauí para contestar a crítica de Boulos. Também questionou a atuação do ministro e afirmou que divergências políticas não justificam apresentar informações incompletas à população.
Quando o aumento do ICMS começa a valer?
A decisão que provocou o embate foi tomada em reunião do Confaz no dia 27 de outubro. As novas alíquotas terão validade a partir de 1º de fevereiro de 2027. A cobrança será maior para três produtos: gasolina, diesel e gás de cozinha. Como o ICMS é um imposto estadual com valores específicos definidos nacionalmente para esses combustíveis, a atualização afeta os consumidores de todo o país.
Veja os novos valores:
| Produto | ICMS atual | Novo ICMS | Diferença |
|---|---|---|---|
| Gasolina | R$ 1,57/litro | R$ 1,64/litro | R$ 0,07 |
| Diesel | R$ 1,17/litro | R$ 1,30/litro | R$ 0,13 |
| Gás de cozinha | R$ 1,47/kg | R$ 1,54/kg | R$ 0,07/kg |
No caso do botijão de gás de 13 quilos, o acréscimo no imposto será de R$ 0,91. Para o diesel, a elevação representa R$ 0,13 por litro, enquanto a gasolina terá aumento de R$ 0,07 por litro.
Boulos não recuou após resposta do governador
A manifestação de Tarcísio não encerrou a discussão. Em nova publicação, Boulos voltou a questionar o governador e classificou sua posição como incoerente.
O ministro argumentou que a aprovação coletiva pelo Confaz não elimina a responsabilidade de Tarcísio, já que o governador participou da decisão. Também recordou as críticas feitas pelo paulista ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a política de impostos.
Boulos ainda chamou atenção para o intervalo entre as eleições e a aprovação do reajuste, afirmando que a mudança de posição ocorreu poucos dias depois da votação.
O episódio amplia a disputa política entre representantes do governo federal e o governador paulista, que é apontado como um dos principais nomes da direita nacional. Enquanto os dois lad