VÍDEO: milhares de estudantes tomam as ruas do Rio em apoio a Lula
Ato aconteceu na região da Cinelândia
Milhares de estudantes e trabalhadores ocuparam o Centro do Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira, 7, em uma mobilização de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. Batizado de “Juventude na Rua pela Democracia”, o ato teve concentração na Candelária e seguiu em caminhada até a Cinelândia.
A manifestação foi divulgada nas redes sociais por estudantes de universidades e escolas do estado e apresentada pelos organizadores como um protesto em defesa da democracia e contra o avanço da extrema-direita. A ministra Anielle Franco também compartilhou a convocação do ato. Relatos publicados nesta quarta indicam a presença de milhares de pessoas, embora não tenha sido divulgada uma estimativa oficial de público.
A mobilização ocorre três dias depois de Flávio Bolsonaro (PL) ter terminado o primeiro turno à frente de Lula, cenário que abriu uma nova etapa na disputa presidencial. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Tribunal Superior Eleitoral.
Além da defesa da candidatura petista, o protesto desta quarta foi marcado por críticas ao bolsonarismo e à candidatura de Flávio Bolsonaro. A convocação do movimento dizia ter como objetivo mobilizar a juventude diante da disputa entre Lula e o candidato do PL.
A manifestação no Rio ocorre em um momento de intensificação do debate sobre as propostas de Flávio para um eventual governo. Nesta quarta-feira, o senador voltou a defender mudanças na Constituição e afirmou que pretende apoiar uma reforma do Judiciário, a redução da maioridade penal, alterações na legislação tributária e o fim da reeleição. Segundo ele, parte dessas mudanças dependeria da aprovação de propostas de emenda à Constituição (PECs).
A fala provocou reações no cenário político, sobretudo porque o candidato associou a nova composição do Congresso a uma possível reformulação de dispositivos constitucionais. Para uma PEC ser aprovada, são necessários três quintos dos votos dos deputados e dos senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.
Outro tema que ganhou espaço na campanha do segundo turno é a jornada de trabalho. A proposta apoiada por Lula prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a adoção gradual do regime de cinco dias de trabalho por dois de descanso, sem redução salarial. A discussão sobre o fim da escala 6×1 começou a avançar no Senado nesta semana. Flávio Bolsonaro tem feito críticas à forma como o governo Lula conduz o assunto. Nesta quarta, afirmou que o presidente estaria utilizando a pauta com finalidade eleitoral e defendeu que a discussão prossiga depois das eleições. A proposta associada ao grupo de Flávio prevê maior flexibilidade na organização da jornada e negociações por hora trabalhada, em contraste com o modelo de 5×2 defendido pelo petista.
É justamente esse conjunto de temas — direitos trabalhistas, organização da jornada, mudanças constitucionais e reformas institucionais — que passou a ser incorporado ao discurso de setores da esquerda durante a campanha pelo segundo turno.
Mobilização estudantil ganha força
O ato desta quarta-feira não foi a primeira mobilização recente contra o bolsonarismo no estado. No início da semana, estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) participaram de uma manifestação no Centro de Niterói. A sequência de atos evidencia a tentativa de movimentos estudantis de ocupar as ruas durante as primeiras semanas da campanha do segundo turno.
No Rio, a concentração desta quarta começou por volta do meio-dia, na Candelária. Os participantes seguiram pela região central até a Cinelândia, tradicional ponto de manifestações políticas na capital fluminense. Segundo a divulgação do movimento, a mobilização buscava demonstrar que parte da juventude pretende participar ativamente da disputa presidencial.
A movimentação acontece em uma eleição na qual a diferença registrada no primeiro turno transformou a campanha em uma disputa voto a voto. Embora Lula tenha chegado ao segundo turno com ampla base eleitoral, foi Flávio quem terminou a primeira votação na liderança, com vantagem de quase 1,9 ponto percentual sobre o atual presidente.
Para o campo petista, atos públicos como o realizado no Centro do Rio funcionam também como demonstração de força política e mobilização de segmentos considerados estratégicos para a reta final da campanha, especialmente os jovens.
A eleição presidencial será decidida em 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro.