Contas de luz ainda mais caras

A pandemia apresenta mais uma conta a ser paga pelos brasileiros

Mesmo com a conta-covid que buscou diluir o impacto da pandemia sobre as contas de luz, observamos que muitas concessionárias apresentaram aumentos superiores à inflação no período e impactam o orçamento de milhares de brasileiros

Os números de reclamações sobre contas de luz mais caras não param de subir. Dispararam as queixas de cobranças indevidas contra as distribuidoras de energia. Dúvidas sobre o processo de leitura durante a crise sanitária exigiram novas ações de comunicação e parcelamento de dívidas pelas empresas. Até a própria Agencia Nacional de Energia Elétrica, a ANEEL, aprovou recentemente a conta-covid, através do decreto no. 10.350/2020 para amenizar o impacto nas tarifas. No entanto, o resultado no bolso das pessoas permanece pesado.

 

 

A conta-covid criada para amenizar o aumento nas tarifas

A pandemia ainda não acabou, mas as cicatrizes estão evidentes. O isolamento social provocou forte queda na renda da população e paralisou as atividades de diversos setores de comércio, indústria e serviços. Consequentemente, o setor elétrico também sentiu. A ANEEL estima uma redução de consumo de energia elétrica de 14% em relação ao mesmo período de 2019 e um aumento de 10% na inadimplência desde o início da pandemia.

As contas de luz para consumidores poderiam ser ainda mais caras e pesadas nos bolsos de milhares de brasileiros. A conta-covid foi criada para diminuir esse impacto através de empréstimos feitos pelos bancos públicos e privados para o setor elétrico. Dessa forma, os custos que seriam cobrados dos consumidores nos próximos 12 meses, serão diluídos em 60 meses.

Ao todo, são 16 bancos para financiar as distribuídoras em um total de R$ 15,3 bilhões. Dentre eles, destacam-se a participação do Bradesco BBI, Itaú BBA e BNDES, que juntos respondem por 55% do total a ser emprestado. O custo total do empréstimo será de CDI + 3,79%.

 

Qual o aumento recente na conta de luz autorizado pela ANEEL?

No entanto, notamos um aumento médio ponderado de 3,82% com reajustes tarifários aprovados pela ANEEL após o início da pandemia. Nota-se uma grande dispersão dos reajustes entre as 10 distribuídoras avaliadas, desde aumentos de 8,54% para consumidores de baixa tensão no Tocantins até redução de 2,73% nas contas para clientes residenciais em Sergipe.

Reajuste da conta de luz no período de pandemia
Reajuste da conta de luz no período de pandemia; fonte ANEEL

Os 8,4 milhões de consumidores mineiros, atendidos pela CEMIG, por exemplo, já estão com tarifas maiores desde o início do mês de julho. Enquanto os clientes residenciais tiveram um impacto de 2,50%, os consumidores industriais tiveram um aumento de 6,19%.

Os 7 milhões de consumidores paulistas, abastecidos pela ENEL SP, também tiveram suas contas aumentadas em média em 4,23%. Similarmente, os clientes residenciais tiveram um aumento menor, de 3,61%, enquanto os consumidores industriais sofreram um reajuste de 6,00%.

Vale destacar que um fator recorrentemente citado nas justificativas de reajuste das tarifas de energia elétrica foi a desvalorização do real ante o dólar. Uma parcela importante da energia adquirida pela distribuídoras é proveniente da usina de Itaipu, cujos contratos são determinados na moeda norte-americana.

 

O que o consumidor pode fazer para reduzir sua conta de luz?

Apesar do amortecimento do impacto pela conta-covid, o consumidor ainda precisa arcar com aumentos de tarifas em diversas regiões do país. Ao consumidor resta ficar ainda mais atento aos seus gastos e buscar alternativas para economizar. As contas de luz estão mais caras.

Primeiramente, é importante checar se os volumes cobrados em sua conta de luz refletem os valores medidos em seu padrão de entrada. Ou seja, vale a pena checar se o valor registrado em seu medidor está consistente com o valor apontado na sua fatura. Caso haja divergências, entre em contato com sua concessionária e peça o reajuste.

Segundo, verifique se com o isolamento social e a maior permanência de todos em casa, o consumo de energia elétrica de alguns aparelhos críticos como ar condicionado ou chuveiro elétrico não podem ser reduzidos para testar o impacto na próxima conta de luz.

Terceiro, no caso de valores excessivos na conta de luz, busque formas de parcelamento e renegociação de dívidas com a distribuidora local. Muitas estão se antecipando ao problema e abrindo canais de atendimento específicos para o tema.

Além disso, uma nova alternativa interessante é a adoção da energia solar. Dentre as diversas opções disponíveis no mercado, destacamos o exemplo das fazendas solares oferecidas por empresas especializadas, como a SUNWISE no estado de Minas Gerais. Agora todos os consumidores residenciais, comerciais e industriais abastecidos em baixa tensão na área de concessão da CEMIG podem economizar, sem investir nada e ainda contribuir com o meio ambiente.

Em suma, os consumidores cativos precisam redobrar sua atenção para as contas de luz que estão ainda mais caras.

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