Big Brother Brasil: conheça a história do reality

Você sabia que o Big Brother Brasil foi inspirado no livro 1984, do famosos escritor britânico George Orwell? Conheça a história do reality show.

O Big Brother Brasil é um reality show exibido pela Globo e já reúne vinte edições. Sucesso de audiência, repercussão e faturamento em todo o mundo, o programa tem um verdadeiro tesouro quando o assunto é a sua origem: a literatura. Isso quer dizer que antes mesmo da versão tupiniquim, a atração não foi criada por Boninho.

O Grande Irmão (tradução livre para o português) foi inspirado no livro 1984, do famoso escritor britânico George Orwell. Na narrativa da obra, o personagem central é o líder supremo da fictícia Oceânia e controla toda a população em que todos os públicos são observados por ‘telas’ que têm a função de monitorar, gravar e espionar a intimidade de uma sociedade. Apesar da leve premissa na publicação de junho de 1949, o Big Brother só ganhou forma em 1999, na Holanda, por John de Mol Jr.

Quem foi o criador do Big Brother?

O formato Big Brother foi desenvolvido pelo magnata Johannes Hendrikus Hubert de Mol Jr., o John de Mol Jr., de 65 anos, em 1999, na Holanda. O bilionário dos média holandês é famoso por ser o criador de vários outros formatos que já ganharam versões brasileiras como o Fear Factor (Hipertensão), The Voice Brasil e Deal or No Deal (Topa ou Não Topa).

John de Mol Jr. nasceu em Haia, Países Baixo, e é um dos principais nomes da Endemol, produtora responsável pela distribuição do Big Brother e muitos outros formatos pelo mundo.  Além da Endemol, John fundou o Talpa Media Group.

John de Mol
John de Mol (Foto: Reprodução/ Twitter)

O magnata foi casado por duas vezes, sendo a primeira com Willeke Alberti (entre 1976 e 1980) e Els de Mol (desde 1986). A mente brilhante por trás do Big Brother tem um filho, o ator Johnny de Mol, e é discreto quando o assunto é sua vida pessoal. O seu foco mesmo é criar, exportar, entreter e lucrar.

Além de atuar no mercado televisivo mundial, De Mol tem investimentos e participações em fabricantes de autopeças. A Spyker Cars, famosa fabricante holandesa, é uma delas.

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Qual país teve o primeiro Big Brother?

Em 16 de setembro de 1999 a primeira edição do Big Brother no mundo foi exibida pelo canal holandês Veronica TV, que tem sede em Amsterdam, na Holanda.  A ideia surgiu de John de Mol Jr.,  após a emissora buscar um produto que conquistasse a atenção de um país inteiro.

O formato foi tão bem nos quesitos audiência e comercial na Holanda, que no ano seguinte outros 19 países como Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e Espanha, entraram em contato com a emissora e compraram os direitos junto a Endemol para a exibição de versões fora dos Países Baixos. O formato só desembarcou no Brasil em 29 de janeiro de 2002.

Vencedores do reality

Ao longo dos 22 anos de existência, o Big Brother foi palco de diversas dinâmicas até então inéditas na TV mundial. Na terceira edição do reality show na Bulgária, o formato contou com as trigêmeas Vyara, Nadejda e Lyubov. Elas tinham uma missão: enganar os participantes já selecionados do show.

Para a dinâmica acontecer, a produção do Big Brother Bulgária criou um quarto secreto dentro da casa mais vigiada do país. Lá, as irmãs se comunicavam entre si e uma delas se infiltrava entre os participantes oficiais após um comando da produção e agia naturalmente. As trigêmeas entravam na casa de forma alternada. A dinâmica durou algumas semanas, e elas conseguiram cumprir o objetivo. Todas foram oficializadas participantes e ao final da temporada Lyubov acabou levando o grande prêmio.

Sascha Sirtl, BB Alemanha
Sascha Sirtl, BB Alemanha (Foto: Reprodução/ Twitter)

Sascha Sirtl foi o grande campeão do formato pelo mundo. Ele participou do BB Alemanha 5 que durou nada menos que 365 dias. Isso mesmo, um ano. Quatro temporadas depois, ele foi convidado para a nona edição do reality show e ficou confinado por mais 120 dias.

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O Big Brother pelo mundo se reinventou. Originalmente criado para confinar anônimos para viver com pessoas que nunca viram antes, o formato ganhou versões com celebridades pelo mundo. De acordo com levantamento do G1, foram 85 edições em 22 países de todos os continentes que investiram na ideia.

O Reino Unido, por exemplo, foi o país que mais se dedicou a franquia com celebridade. Entre 2001 e 2018 o país produziu 22 edições do show, 3 a mais que edições voltadas para o formato original com anônimos. No Brasil, famosos passaram a fazer parte do elenco do Big Brother em 2020. Por aqui, duas famosas (Rafa Kalimann e Manu Gavssi) chegaram à final do BBB20. No entanto, Thelma Assis (então anônima) venceu a edição especial. O sucesso foi tanto que o BBB21 também será divido entre famosos e anônimos.

Na imagem o elenco do BBB20
Elenco BBB 20 (Foto: TV Globo/ Reprodução)

Já na Argentina, em uma edição com famosos, Diego Leonardi, o menos popular do elenco, foi o grande vencedor. A fórmula se repetiu no Reino Unido em 2006, quando Chantelle Houghton, a única não famosa do elenco, acabou levando a edição do BB no país. Logo após deixar a casa milionária, a agora famosa se tornou apresentadora de TV.

Já no Brasil, o Big Brother se prepara para estrear a sua vigésima primeira edição. O programa teve a sua primeira temporada no país em 29 de janeiro de 2002 pela Globo e consagrou o fisiculturista Kleber Bambam (então Kleber de Paula) o vencedor de R$ 500 mil, prêmio da época.

Em maio do mesmo ano, a Globo lançou a segunda edição do BBB que teve como vencedor Rodrigo Leonel (o Cowboy). A terceira temporada do reality aconteceu em janeiro de 2003 e teve Dhomini, ex-namorado de Sabrina Sato, o vencedor. O BBB seguiu ganhando novas edições. Na quarta, por exemplo, quem levou a melhor foi a ex-babá Cida. Já na quinta temporada, o baiano Jean Wyllys levou o prêmio de R$ 1 milhão, 50% a mais que o conquistado por vencedores das edições anteriores do formato.

A partir daí, a edições seguintes foram vencidas por Mara Viana, Diego Gasques (Alemão), Rafinha Ribeiro, Maximiliano Porto (Max)Marcelo Dourado, Maria Melillo, Fael Cordeiro, Fernanda Keulla, Vanessa Mesquita, Cézar Lima, Munik Nunes, Emilly Araújo, Gleici Damasceno, Paula von Sperling e Thelma Assis.

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Estreia do BBB1

Apesar do primeiro Big Brother da história ter sido lançado em 1999 na Holanda, no Brasil, o BBB1 fez a sua estreia em 2002 após enorme sucesso da Casa dos Artistas, exibida pelo SBT entre 2001 e 2004.  A Globo comprou os direitos autorais com a Endemol e passou a produzir o programa em uma tentativa de barrar o sucesso desenfreado da concorrente.

Antes disso, a Endemol entrou em contato com o SBT para que o formato fosse exibido no Brasil pela emissora. No entanto, Silvio Santos e a alta cúpula do canal recusaram a oferta e produziram o próprio reality show que durante todos os anos em que foi exibido enfrentou ações judiciais por ‘direitos autorais’.

Após comprar e começar a exibição do BBB1, a Globo entrou na Justiça do Estado de São Paulo para barrar a exibição da Casa dos Artistas, que chegou a ser suspensa do ar por dois dias, mas retornou na sequência após o SBT ganhar uma causa temporária na Justiça. A Globo não se deu por vencida e recorreu da ação. No entanto, o SBT continuou exibindo o seu produto que chegou a ser líder de audiência abrindo mais de 20 pontos de vantagem contra a concorrente.

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Elenco da Casa dos Artistas 1 e Silvio Santos
Elenco da Casa dos Artistas 1 e Silvio Santos (Foto: Reprodução/ SBT)

O SBT desistiu de produzir a Casa dos Artistas em 2004, após novas acusações de plágio e ameaças de processo. Mas em 2015, o Superior Tribunal de Justiça de Amsterdã considerou o programa produzido pela emissora brasileira como plágio do Big Brother e condenou o canal a pagar multa de US$ 100 mil por cada dia que o programa fosse ao ar após a condenação, segundo informou a Folha de S. Paulo à época.

Mas apesar de ter estreado em meio à polêmicas com a concorrente direta, o Big Brother Brasil 1 foi sucesso de audiência. Isso porque, diferente da Casa dos Artistas que confinava pessoas famosas, o reality show da Endemol apostou em pessoas comuns a potenciais celebridades.

Quando entrou no ar no Brasil, o BBB1 não tinha o famoso termo ‘paredão’ como é denominada a zona de risco em que participantes emparedados após votação da casa e líder, passam por uma votação em que o público decide quem deve deixar o reality show.  O nome só foi aderido pela Globo após o participante Adriano Castro ter dado a sugestão de forma despretensiosa. A marca pegou e hoje é sinônimo de formatos do gênero no Brasil.

Pedro Bial e Marisa Orth
Pedro Bial e Marisa Orth (Foto: Reprodução/ TV Globo)

O BBB1 foi marcado por ser uma novidade máxima no Brasil. Isso porque, os participantes não tinham noção do que se podia ou não falar dentro da casa, e por isso soltavam informações confidenciais. Tudo era registrado pelas câmeras espalhadas pela residência mais famosa do Brasil e repercutia com facilidade na imprensa.

Fato curioso é que o BBB1 teve na apresentação dois nomes: o jornalista Pedro Bial e a atriz Marisa Orth. Na época, a famosa comentou inúmeras gafes, como atropelar o líder da semana, Sérgio, que deveria indicar quem iria para o paredão, e anunciou Caetano como o indicado. O deslize deixou o líder em uma sai justa e a apresentadora acabou sendo rebaixada a um quadro de entrevistas com os participantes, mas logo foi ‘eliminada’ antes mesmo da reta final da temporada.

Antes de eliminar de vez Marisa Orth do BBB1, a Globo a colocou para ser uma espécie de psicóloga, em que toda sexta-feira ela surgia na TV da sala de estar para conversar com os participantes. A temporada durou 64 dias, sendo a mais curta do Big Brother Brasil até hoje. Na ocasião, Kléber Bambam foi o vencedor. 

Imagem mostra a final do BBB 1 com Bambam e Vanessa
Kleber Bambam, vencedor do BBB1 (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Mas as polêmicas da edição de estreia não pararam por aí.  O primeiro líder da história do formato no Brasil foi o cabeleireiro franco-angolano Serginho (Antonio Sergio Tavares Campo). Ele foi o responsável pelo primeiro caso de polícia no programa da Globo. Isso porque, o então competidor estava em situação ilegal no Brasil, e foi notificado pelas autoridades do país.

Na ocasião, Sérgio contou com o apoio de um advogado que conseguiu um prazo na Justiça brasileira para que ele pudesse continuar no programa competindo pelo prêmio. No auge da polêmica, Serginho era um dos favoritos e se envolveu com a atriz Vanessa Pascale, formando um dos casais mais memoráveis da história do formato.

Se hoje em dia não é comum ver cachorro no BBB, a primeira edição também esteve no centro das atenções da imprensa após uma pet chamada Mole entrar na casa e conviver com os participantes. O animal de afeiçoou a Caetano, que acabou sendo o primeiro eliminado. A cachorrinha ficou desorientada com a saída do brother e logo foi tirada do programa após a repercussão na imprensa.

BBB1
Participantes BBB1 com a pet Mole (Foto: Reprodução/ TV Globo)

BBB20, o maior de todos os tempos

O Big Brother Brasil 20 entrou no ar em 21 de janeiro com uma série de novidades após um desgaste do formato no país. A Globo se rendeu a fórmula de versões estrangeiras e confinou 10 famosos na casa mais vigiada do Brasil. Babu Santana, Bianca Andrade, Gabi Martins, Pyong Lee, Lucas Chumbo, Manu Gavassi, Mari Gonzalez, Petrix Barbosa e Rafa Kalimann foram os convidados da edição que ainda contou com 10 anônimos, mantendo metade da originalidade do formato.

A novidade na atração comandada por Tiago Leifert e com direção de Rodrigo Dourado e direção-geral de José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho, emplacou no país e movimentou uma legião de fãs. O décimo paredão, por exemplo, fez o BBB20 entrar para o Guinness World Records como ‘A maior quantidade de votos do público conseguidos por um programa de televisão’, marca que antes pertencia ao talent show americano American Idol (Ídolos, aqui no Brasil). Na ocasião, Manu Gavassi, Felipe Prior e Mari Gonzelez se enfrentaram e juntos receberam mais de 1 bilhão e meio de votos.

Imagem de Felipe Pior, Manu Gavassi e Mari Gonzalez no paredão do BBB 20
Paredão histórico do BBB 20 (Foto: Reprodução/ G1)

O sucesso ganhou reportagem no Jornal Nacional, principal telejornal do país, e no Fantástico, revista eletrônica de maior audiência no Brasil. Além disso, a revista americana Variety dedicou uma página para falar sobre o sucesso do BBB20, classificando a atração brasileira como ‘recorde colossal’.

Além de ter entrado para o livro dos recordes, o BBB20 também deixou para trás outras edições do formato no Brasil no quesito votos. As sete primeiras posições de 10 são de paredões da edição. A berlinda entre Guilherme, Pyong e Gizelly, por exemplo, teve mais de 416 milhões de votos. Já o paredão entre Pyong, Babu Santana e Rafa Kalimann contou com mais de 385 milhões de votos computados. O BBB19, que teve o pior desempenho da história do Big Brother no Brasil em matéria de audiência, aparece na oitava colação com 202 milhões de votos em um paredão entre Elana, Carol e Paula.

Na imagem a vencedora do BBB 20 Thelma Assis na final do reality
(Foto: TV Globo/ Reprodução)

O Big Brother Brasil 20 terminou três meses depois com a médica anestesiologista Thelma Assis campeã com 44,10% dos votos. Ela faturou R$ 1,5 milhão. O programa chegou ao fim com uma média geral de 25 pontos, segundo dados divulgados pelo IBOPE, elevando a audiência da edição anterior em 5 pontos.

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