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O cashback – programa de recompensa baseado na devolução de dinheiro para os usuários – começa a ganhar força entre produtos financeiros. A expectativa é de que o uso se expanda e alcance volumes significativos de clientes e parceiros até 2022.

O Banco Inter, por exemplo, já aderiu o cashback para fundos de investimentos específicos. A ideia, além da devolução de dinheiro para os clientes, é a diferenciação de preço possibilitada pela oferta mais “acertada”.

“Como reduzimos o custo de funding com nosso modelo digital, conseguimos devolver essa eficiência ao investidor”, explica o diretor de investimentos do Banco Inter, Rafael Rodrigues.

Nesse cenário, o sistema funciona por meio de acordos de distribuição com os gestores de fundos “high fees”, de forma a passar 50% dessa remuneração (chamada rebate) como dinheiro na conta do cliente. “A receptividade foi muito bacana e a ideia é que ele fique permanentemente na instituição”, acrescenta Rodrigues.

De acordo com a integrante da equipe de marketing interna da Mooba, Thais Araújo, apesar de o cashback ainda não ser um conceito difundido no Brasil, o modelo baseado no reposicionamento da marca e nas estratégias específicas que nomeiam o tipo de público e a demanda existentes tem atraído novos entrantes.

“A oportunidade de adicionar o sistema em serviços financeiros já existe e passa a ser usada de forma mais significativa. É o caso dos cartões de crédito, por exemplo”, diz.

Segundo o diretor de estratégia da Mélliuz, André Amaral, a adesão do cashback em serviços financeiros segue a mesma lógica da plataforma voltada para o varejo. “Dar um desconto comum não é inteligente, pois você acaba tendo um gasto muito maior do que o necessário. Atualmente, a maioria dos parceiros conta com um programa de fidelidade que ajuda a identificar os usuários e o mesmo se dá aos clientes de instituições financeiras. É um incentivo mais certeiro”, complementa.

No caso específico do Banco Inter, a expectativa é de crescente demanda e de expansão do cashback para outros produtos oferecidos pela instituição. “Queremos acelerar a portabilidade e a intenção é levar o sistema para outros fundos e serviços. É um benefício que vale imediatamente e que, ante as novas tecnologias, tende a se expandir”, avalia o diretor.

Falta de conhecimento

Apesar do avanço da modalidade, porém, os executivos entrevistados pelo DCI ponderam a falta de conhecimento dos usuários como um entrave para crescimentos maiores.

“Além do trabalho de comunicação com os envolvidos, também é necessário trabalhar a questão de educação financeira no médio prazo. Isso pode colaborar no ganho de relevância do cashback não apenas entre os players, mas também entre os usuários, que utilizarão o incentivo de forma mais inteligente”, diz Araújo.

Segundo Amaral, parte desse processo é a criação do dia de cashback, criado pela Mélliuz em 2018 e atribuído ao dia 29 de maio. “É uma data para gerar vendas implementares e que, só no ano passado, conseguimos um aumento 350% acima do esperado. Foi quase uma Black Friday fora de época, mas que trouxe perfis de venda mais firmes”, disse.

Araújo afirma, ainda, que é um processo que não deve demorar. “Em menos de três anos já veremos esse mercado se expandindo e ganhando novas proporções. O mundo digital é muito rápido e a expectativa é de que daqui um ano, por exemplo, teremos uma participação e uma compreensão muito maiores”, completa.

De acordo com o CEO da Beblue, Murilo Silvério, conforme o conhecimento entre os consumidores cresça, a oferta do cashback tende a aumentar cada vez mais.

“A evolução desse mercado deve proporcionar a inclusão de estabelecimentos dos mais diversos segmentos. Isso beneficia o consumidor com mais opções de consumo e maiores possibilidade de receber seu dinheiro de volta”, conclui o executivo da Beblue.