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A decisão do governo Trump de sancionar e talvez inviabilizar a gigante de telecomunicações Huawei recebeu uma forte repreensão de Pequim nesta quinta-feira, que alertou que a medida poderia prejudicar negociações comerciais.

As ações dos fornecedores norte-americanos da Huawei também caíram em meio a temores de que o enorme cliente de chips, software e outros componentes seja forçado a parar as compras após o Departamento de Comércio dos EUA proibir a compra de tecnologia dos EUA sem aprovação especial.

A Huawei afirmou que a perda de acesso a fornecedores dos EUA causará danos econômicos significativos às empresas americanas e afetará dezenas de milhares de empregos americanos.

A ofensiva, anunciada na véspera, foi o mais recente disparo em uma guerra comercial entre a China e os EUA que está abalando os mercados financeiros e ameaçando atrapalhar a já desacelerada economia global.

Autoridades chinesas disseram que a agressividade dos EUA pode prejudicar as negociações comerciais, que parecem ter chegado a um impasse na semana passada, quando os norte-americanos aumentaram tarifas sobre produtos chineses e Pequim retaliou do mesmo jeito.

O porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, enfatizou que os Estados Unidos devem evitar mais danos nas relações comerciais. "A China tomará todas as medidas necessárias para defender os direitos legítimos das empresas chinesas", disse Gao a repórteres.

O Ministério também anunciou a prisão formal de dois cidadãos canadenses que foram detidos pouco depois de o Canadá ter prendido a vice-presidente financeira da Huawei, Meng Wanzhou, em dezembro.

Meng pode ser extraditada para os EUA sob acusação de conspirar para fraudar os bancos globais. Ela e a empresa negam as acusações.

Enquanto o Canadá diz que a China não fez nenhuma ligação específica entre as detenções dos dois homens e a prisão de Meng, especialistas e ex-diplomatas dizem não terem dúvidas de que estão usando tais casos para pressionar o Canadá.