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O crescimento médio das concessões nas cooperativas de crédito em 2018 tem sido superior do que a alta vista nos grandes bancos. Para 2019, a estimativa é de uma maior implantação de tecnologias e um aumento no número de agências e de cooperados.

Enquanto a carteira de crédito dos cinco maiores bancos do País cresceu entre 7% e 13% até setembro ante igual intervalo de 2017, duas das maiores cooperativas avançaram 17% (Unicred, até novembro ante o mesmo período de 2017) e 28% (Sicredi, em igual comparação).

“O sistema pode crescer ainda mais conforme chegarmos ao público bancário que ainda não conhece como o cooperativismo funciona. Acredito veemente que muitos migrariam e a grande expectativa é de que se continuarmos com essa alta, em cinco anos passaremos a representar 10% do sistema financeiro”, afirmou o CEO da Unicred no Brasil, Fernando Fagundes. Atualmente, o cooperativismo representa 5%.

Ainda conforme os dados das cooperativas, até novembro do ano passado a Unicred registrou um avanço de 10% no número de cooperados em relação ao mesmo intervalo de 2017. A Sicredi Pioneira, filial da região Sul da Sicredi, por sua vez, teve alta de 6% no ano passado ante o visto em 2017.

“Foi um ano bom, com queda de inadimplência e crescimento de qualidade. Tivemos uma alta de 20% nos ativos, abrimos 142 agências e devemos abrir mais 150 em 2019. Estamos atentos nesse início de ano, mas a espera é de um novo ânimo”, avaliou o diretor presidente do Banco Sicredi no Brasil, João Tavares.

Para 2019, os executivos reiteram que grande parte das expectativas na parte de crédito estão apoiadas no avanço das reformas econômicas necessárias no País e no direcionamento do novo governo.

“Muitos brasileiros estão na expectativa de mudança e, apesar de otimistas, muitos ainda guardam suas energias para quando as propostas se concretizarem”, explica o vice-presidente da Sicredi Pioneira, Mário José Konzen.

Para Fagundes, além da taxa de inadimplência ter diminuído e da demanda por recursos ser crescente, principalmente enre os consumidores, as perspectivas estão positivas principalmente pela existência de um “crédito reprimido”. “Acredito que já a partir do segundo semestre veremos uma evolução mais forte em toda a questão do crédito”, acrescenta.

Novas tecnologias

Também dentre os principais focos do sistema cooperativo para este ano estão as questões de expansão e de inovação do segmento. “Em 2018 nós repaginamos e abrimos novas agências e implementamos algumas funcionalidades com foco no mobile. Também devemos expandir para outras capitais já nesse primeiro trimestre” comentou Fagundes.

Segundo Konzen, o avanço das novas tecnologias e sua implementação no sistema é um “estudo permanente”. “Ainda estamos um pouco aquém dos grandes bancos, mas já temos tecnologias que atendem as necessidades dos nossos cooperados”, disse.

“Já implantamos um programa que trouxe oito startups para trabalhar conosco em 2018. É inevitável nos aliarmos às fintechs e vamos continuar e reforçar esse projeto em 2019”, concluiu Tavares.