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As ações de varejo e consumo estão entre as mais recomendadas para fevereiro, representando uma média de 40% nas carteiras consultadas. Nas demais menções, os setores de infraestrutura e construção civil também continuam como destaque nas corretoras.

Em relatório divulgado na última sexta-feira, o BTG Pactual – por exemplo – incluiu as ações da PagSeguro e do Iguatemi em sua carteira recomendada para fevereiro, que já listava os papéis da Renner. Já a corretora Coinvalores mencionava as ações da Magazine Luiza, Iguatemi e Renner para este mês.

Outra corretora, a Planner, também manteve a Via Varejo na sua carteira e considerou que passada a pressão com venda do lote de ações do Grupo Pão de Açúcar no final de dezembro, a Via Varejo acabou mostrando forte valorização em janeiro.

“A ação passou a ser olhada mais de perto após a queda acumulada na primeira quinzena do mês. Acreditamos que ainda existe espaço para valorização considerando que existe a expectativa de melhora nos resultados deste ano”, destacou a Planner .

A projeção do bom desempenho dos papéis de consumo está atrelada à expectativa de resultados corporativos melhores no quarto trimestre de 2018. O impulso vem da Black Friday de novembro, que trouxe um avanço de 2,9% no volume de vendas, o melhor resultado para o mês desde 2000, início da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o analista da Socopa Nikolas Takeo, apesar das apostas do início do ano estarem bastante vinculadas à infraestrutura e construção civil, a maior parte do retorno vindo do valuation (avaliação do preço) atrativo dessas ações já performaram em janeiro e, agora, as expectativas se concentram em ativos que podem ser favorecidos pela recuperação da economia doméstica.

“Começamos a passar as alocações para o varejo principalmente porque ele ainda é um dos setores mais atrasados na bolsa e podem ter uma correção forte com a retomada da economia e com a reação dos indicadores de confiança”, diz.

Para o estrategista-chefe da Monte Bravo, Rodrigo Franchini, o crescimento econômico favorecendo o cenário doméstico traz um olhar otimista à carteira de consumo na bolsa brasileira não apenas para fevereiro, mas até mesmo em um prazo mais longo.

“Seja em magazine, aviação, mercado bancário e até mesmo logística, a maior parte das carteiras estão sendo trabalhadas em cima de consumo. Além disso, o bloco financeiro, com Itaú, Bradesco e Banco do Brasil também são uma boa aposta, assim como o segmento de shoppings, onde BRMalls é um destaque”, acrescenta.

O especialista comenta, ainda, que as expectativas para as commodities ao longo de 2019 também podem trazer alguns impactos em ações específicas. “A Azul, por exemplo, frente aos preços mais baratos do petróleo pode ter uma rentabilidade melhor em suas operações. As ações da Petrobras também têm performado bem nesse quesito”, analisa.

“Já as perspectivas para o minério de ferro que trouxeram uma forte sugestão das ações da Vale e da Gerdau, em janeiro, também podem favorecer esses papéis ao longo do ano”, completa Fanchini.

Em relação à tragédia de Brumadinho com o rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale, no último dia 25 de janeiro, os especialistas comentam que a maioria das corretoras deve esperar para ver quais serão as decisões tomadas pela empresa antes de fazerem novas indicações.

Braskem e Petrobras

Outro papel comentado entre os analistas foi a Braskem. De acordo com os entrevistados, as sinalizações de que a Petrobras deverá se desfazer de sua parte das ações da companhia tem trazido boas perspectivas de valorização do ativo.

Para o analista da Rico Investimentos Thiago Salomão, a discussão sobre a venda da participação da Petrobras para um player privado traz novas perspectivas de que os papéis da petroquímica voltem a valorizar ao longo de fevereiro.

Já o analista da Necton, Álvaro Frasson, diz que a indicação da Braskem veio principalmente porque dessas sinalizações por parte da Petrobras devem mirar uma decisão mais assertiva no mês. “E trazer uma rentabilidade muito interessante para as ações da petroquímica”, afirmou.