Publicado em

O Ibovespa teve, ontem, sua terceira queda consecutiva, que veio mais uma vez da falta de confiança no andamento da reforma da Previdência sem grandes percalços. O índice recuou 1,25%, aos 94.754,50 pontos. Nas últimas três sessões, acumula baixa de 2,69%.

Os negócios somaram R$ 11,3 bilhões. Embora o governo siga indicando que busca melhorar sua articulação política e anuncia medidas que movimentem o País, investidores e analistas veem um cenário travado para o mercado acionário. Com novos ruídos em torno da reforma e diante das sucessivas revisões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), não houve notícia capaz de incentivar a compra de ações.

Na mínima de ontem, o Ibovespa chegou aos 94.173 pontos (-1,86%). Logo pela manhã, o mercado repercutiu as notícias de que os partidos do Centrão ameaçam obstruir a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para votação do relatório favorável à admissibilidade da proposta enviada pelo governo.

Em seguida, declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) aumentaram a tensão, trazendo de volta as dúvidas quanto ao alinhamento entre Legislativo e Judiciário. Em evento da XP Investimentos em Nova York, Maia deu algumas alfinetadas. Disse que “atrapalhar o governo seria a coisa mais fácil do mundo”, mas que a Câmara “tem muita responsabilidade”.

“O mercado segue na crença de que a reforma será aprovada e a economia irá melhorar. Mas o volume fraco na Bolsa mostra que o cenário doméstico está travado, o que impede o investidor de projetar o crescimento das empresas e da economia do País”, disse Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H. Commcor.

As quedas do Ibovespa foram praticamente generalizadas entre as blue chips. Com os preços do petróleo em queda, os papéis da Petrobras fecharam com perdas de 1,30% (ON) e de 2,71% (PN). Entre os bancos, Itaú Unibanco caiu 2,32% e B3 ON recuou 2,24%.

Mercado cambial

O real foi a moeda com pior desempenho ante o dólar na sessão de ontem, também frente ao aumento da percepção nas mesas de câmbio de que a tramitação da reforma da Previdência pode demorar mais que o esperado e a alta da moeda americana no exterior.

Se na quarta-feira declarações da equipe econômica em Nova York ajudaram a melhorar o humor dos investidores, e o dólar caiu a R$ 3,82, ontem os parlamentares azedaram este clima e a moeda subiu 0,86%, para R$ 3,8564.

No exterior, o dólar operou em alta durante todo dia, com a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) acima do previsto. Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego atingiram o menor nível desde outubro de 1969. Para o economista-chefe do banco MUFG, Christopher Rupkey, estes indicadores jogam “água fria” nas expectativas de que pode haver corte de juros este ano pelo Fed.

A melhora na perspectiva para a tramitação da reforma da Previdência na Câmara deu lugar à cautela e as taxas percorreram a quinta-feira em alta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a 6,480%, de 6,465% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 subiu de 7,062% para 7,13%. A taxa para janeiro de 2023 encerrou em 8,24%, de 8,162% e a taxa do DI para janeiro de 2025 avançou de 8,672% no ajuste anterior para 8,73%. /Estadão Conteúdo