Direto da China Adriane Castilho Editora de Abertura
13/06/2017 - 02h41 | Atualizado em 13/06/2017 - 08h09

Panamá rompe com Taiwan para estabelecer relações diplomáticas com China

Com acordo firmado nesta terça-feira em Beijing, governo panamenho se junta à lista de 174 países que reconhecem política da China única

A vice-presidente e chanceler do Panamá, Isabel de Saint Malo, e o chanceler da China, Wang Yi
A vice-presidente e chanceler do Panamá, Isabel de Saint Malo, e o chanceler da China, Wang Yi
Foto: Adriane Castilho/DCI

BEIJING - O governo do Panamá estabeleceu relações diplomáticas com a China e, para isso, rompeu com Taiwan, considerada na área continental do país asiático como uma província rebelde. O acordo foi firmado na manhã desta terça-feira, em Beijing, pelo ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, e pela chanceler e vice-presidente do Panamá, Isabel de Saint Malo, e divulgado horas antes pelo governo panamenho.

O comunicado conjunto diz que o governo do Panamá reconhece que existe uma só China no mundo, que o governo da República Popular da China é o único legítimo que representa todo o país e que Taiwan faz parte inalienável do território chinês. O rompimento das "relações diplomáticas" com Taiwan - dito dessa forma, entre aspas, no comunicado, já que Beijing não admite a ilha como outra nação - vale a partir de hoje.

Em breve pronunciamento, o chanceler Wang afirmou que o contato entre os dois países começou há mais de 160 anos, quando trabalhadores chineses chegaram ao Panamá por via marítima para atuar em obras relacionadas ao célebre canal entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Hoje, a China é o segundo maior usuário do canal do Panamá, atrás apenas dos Estados Unidos.

Com a decisão desta terça-feira, o governo panamenho se junta à lista de 174 países que reconhecem a política de uma China única, disse Wang. Essa é uma premissa fundamental para o estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e qualquer país, acrescentou. Segundo o chanceler, o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, já tinha tornado pública sua posição a esse respeito há dez anos.

A chanceler panamenha elogiou a comunidade chinesa em seu país e disse que ambos os países vão trabalhar agora em uma agenda bilateral. O presidente Varela deu instruções para começar a atuar em temas como turismo, agricultura, comércio e transporte marítimo, disse. Um dos objetivos é incrementar as exportações para China e o comércio exterior como um todo, além do turismo, no contexto de uma cooperação mútua. Assim, o anúncio de hoje foi uma "decisão estratégica" no melhor interesse das duas nações, afirmou Isabel.

O diretor-geral do Departamento de América Latina e Caribe do Ministério de Relações Exteriores, Zhu Qingqiao, destacou o peso da iniciativa nas relações da China com a região. Disse que mais de 70 empresas chinesas já atuam no Panamá e que o acordo abre mais perspectivas para reforçar a cooperação mútua. Zhu disse haver complementaridade entre as economias da China e do Panamá e disse que a decisão é um reflexo do desenvolvimento das relações de seu país com a América Latina e o Caribe.

O acordo formalizado hoje é uma vitória para Beijing, em sua movimentação para o reconhecimento internacional da política de uma única China. Até agora, o Panamá mantinha relações diplomáticas com Taipei e comerciais com Beijing.

Há apenas um ano, em junho de 2016, o governo panamenho recebeu Tsai Ing-wen como presidente de Taiwan. Ela tinha assumido o cargo um mês antes. Neste ano, em janeiro, já esteve em Nicarágua, Guatemala e Honduras. A América Central concentra a maior parte dos cerca de 20 países que reconhecem o governo de Taipei. A lista perdeu um integrante da região em 2010, quando Costa Rica optou por se aproximar de Beijing.

Na China, um departamento subordinado ao Conselho de Estado trata dos assuntos relacionados a Taiwan. No site do órgão, um dos documentos oficiais disponíveis diz que, nos últimos anos, autoridades de Taipei lançaram uma campanha de "diplomacia pragmática" para cultivar laços oficiais com países que têm relações diplomáticas com Beijing, para tentar estabelecer um cenário de "duas Chinas" ou "uma China, uma Taiwan". O governo chinês se posiciona firmemente contra este esquema, diz um dos white papers do departamento. 

(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China)

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