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O temor de um acirramento da guerra comercial entre EUA e China voltou a impor perdas ao mercado brasileiro de ações ontem. Declarações do presidente norte-americano Donald Trump ditaram as oscilações. O Ibovespa teve baixa de 0,83%, aos 94.807,85 pontos.

Em comício na quarta-feira à noite, o presidente dos Estados Unidos afirmou que a China havia quebrado o acordo comercial e que por isso ele decidiu por ampliar a sobretaxação aos produtos chineses. Na madrugada, a China respondeu com ameaça de retaliação à imposição de novas taxas à importação de seus produtos pelos EUA.

Em meio ao tiroteio, as perdas foram generalizadas e o índice VIX, que mede a volatilidade nos mercados, atingiu seu maior patamar desde janeiro. No início da tarde de ontem, Trump foi ao Twitter acenar com uma “alternativa excelente”, caso o acordo não seja alcançado. A declaração acabou por afastar as bolsas de Nova York das mínimas, com reflexos imediatos nos mercados emergentes, incluindo o brasileiro.

Por aqui, as quedas foram lideradas por ações do setor financeiro, pela elevada liquidez, e pelos papéis de empresas de commodities, devido à queda das matérias-primas no mercado internacional. O petróleo oscilou em queda ao longo de todo o dia e as ações da Petrobras caíram 1,97% (PN) e 2,85% (ON). Vale ON perdeu 0,94% do seu valor. Entre os bancos, destaque para Bradesco PN (-1,89%) e Itaú Unibanco PN (-1,24%). A exceção foi Banco do Brasil ON, que subiu 0,89%, refletindo o resultado financeiro trimestral acima das projeções.

Mercado cambial

O dólar, por sua vez, bateu em R$ 3,98 na sessão de ontem, mas a valorização perdeu fôlego na parte da tarde e a moeda terminou em R$ 3,9519, em alta de 0,48%. O cenário externo foi o principal fator a pressionar o mercado de câmbio, por conta do impasse nas negociações comerciais entre a China e EUA. No exterior, o real foi uma das moedas que mais perderam valor ante o dólar.

Operadores relatam que o aumento da aversão ao risco levou à saída de dólar no país, sobretudo pela manhã, quando a moeda chegou a bater em R$ 3,9812. “Enquanto não tiver um cenário mais claro de para onde vai a questão comercial, vai ter bastante volatilidade no mercado”, disse o chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.

Outro fator que contribui para deixar o investidor mais cauteloso é a consolidação da visão de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve piorar. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reconheceu a fraqueza da atividade e ontem, fontes do governo admitem que o governo pode revisar para baixo a projeção do PIB. Em última instância, essa piora das projeções pode dificultar ainda mais a situação fiscal do governo, por causa da menor arrecadação, ressalta Velloni.

Os dados considerados fracos das vendas do varejo potencializaram a reação do mercado de juros ao comunicado do Copom, conferindo queda às taxas futuras, mais pronunciada nos vencimentos curtos e intermediários. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020, fechou com taxa de 6,405%, de 6,430% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2021 caiu de 7,001% para 6,93%. A do DI para janeiro de 2023 fechou a 8,06%, de 8,102%. A taxa do DI para janeiro de 2025 terminou a etapa regular em 8,58%, de 8,612%. /Estadão Conteúdo