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Mesmo diante de um cenário eleitoral conturbado, os investimentos produtivos estão conseguindo ter certa estabilidade no Brasil. As expectativas dos analistas para os aportes externos são até mesmo positivas, enquanto em relação aos projetos do empresariado nacional, há mais incertezas.

“Uma retomada do fluxo de investimentos no País dependerá muito da configuração da nova equipe do governo e das medidas econômicas que serão anunciadas”, afirma o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero.

Por outro lado, a entrada de recursos estrangeiros no Brasil tem se mantido em um patamar elevado, principalmente em função dos projetos na área de infraestrutura, com destaque para eletricidade e gás, ressalta Balistiero.

Até agosto, os investimentos diretos no País (IDP) somam US$ 44,3 bilhões, recuo de 2,4% ante igual período de 2017, quando os aportes foram de US$ 45,4 bilhões.

O economista-chefe da Mapfre Investimentos, Luis Afonso Lima, também chama a atenção para este ponto, lembrando que 59% dos US$ 19,8 bilhões de investimentos anunciados até março de 2018 estão relacionados ao setor de infraestrutura, sendo que a maior parte deles é liderada por companhias estrangeiras.

“Ter mais da metade dos investimentos direcionados para a infraestrutura é uma sinalização muito positiva, pois indica a possibilidade de sustentar o crescimento econômico nos próximos anos. O desenvolvimento do fornecimento de energia, do saneamento básico, das telecomunicações, garante aumento de produtividade”, considera Lima.

Dos US$ 19,8 bilhões, US$ 6,5 bilhões serão investidos em eletricidade, gás e água quente, enquanto US$ 3,8 bilhões, direcionados para as telecomunicações. Os dados são da Rede Nacional de Informações Sobre o Investimento (Renai), publicados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), durante o primeiro semestre.

“A depreciação do câmbio do País barateou o custo do investimento para os estrangeiros. É um momento de oportunidade para eles. A empresa nacional, por sua vez, está em uma posição menos favorecida. Para ela, o custo do capital é muito alto”, afirma o economista-chefe da Mapfre.

Na espera

O gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, comenta que os investimentos da indústria brasileira estão um momento de “certa estabilidade”, na espera do resultado das eleições. “A plataforma econômica do novo governo é o que ditará o ritmo dos investimentos em 2019”, destaca Branco.

“Precisamos ter uma definição de como irão se comportar as linhas privadas de financiamento, as políticas de atração de investimento, inclusive de capital internacional, para avaliar melhor as perspectivas para o próximo ano”, completa o especialista da CNI.

Por fim, Balistiero reforça que a sinalização do ajuste fiscal será chave para gerar confiança empresarial. “A reforma fiscal será capaz de criar cenário econômico mais favorável.”