Publicado em

O dólar acumulou queda de 1,51% nos últimos cinco dias, marcando a primeira semana de baixa após sete semanas consecutivas de alta. No mercado à vista, o dólar terminou a sexta-feira em queda de 0,73%, a R$ 4,0801, a menor cotação em quinze dias.

O cenário externo mais positivo é o principal fator que está provocando a queda das cotações da moeda americana e nesta sexta-feira não foi diferente. A perspectiva de mais cortes de juros nos Estados Unidos se consolidou após a divulgação de criação de emprego mais fraca que o previsto na maior economia do mundo e ajudou a enfraquecer a moeda americana no mercado financeiro mundial. O real foi a segunda moeda emergente que mais se fortaleceu, atrás apenas do peso mexicano.

Os estrategistas do banco americano Bank of America Merrill Lynch avaliam que o relatório de emprego dos EUA é o mais recente indício de desaceleração da economia americana. O documento deve manter o Federal Reserve em trajetória de corte de juros. O banco prevê nova redução de 0,25 ponto na reunião deste mês, movimento que pode ajudar a enfraquecer o dólar na economia mundial. O holandês Rabobank já fala em juro perto de zero nos EUA até o final de 2020.

Pela manhã da sexta-feira, após a divulgação do relatório de emprego do EUA, o dólar bateu na mínima no Brasil, a R$ 4,0546 e na parte da tarde do mesmo dia, a falta de sinalização mais clara do presidente do Federal Reserve (Fed) Jerome Powell acabou fortalecendo o dólar lá fora. “Powell repetiu seu mantra no discurso”, avaliam os estrategistas do Rabobank. O dirigente reiterou que “agirá como for apropriado para sustentar a expansão”.

“A probabilidade de corte de 0,50 ponto na próxima reunião do Fed é grande”, disse o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. Para ele, a economia americana perde força e o Fed deve levar os juros para 1,25% ao ano após uma série de cortes nesta e nas próximas reuniões de política monetária. Para o câmbio brasileiro, o Bradesco revisou a estimativa de dólar no final do ano, de R$ 3,80 para R$ 4,00, por conta do cenário externo mais adverso. Para dezembro de 2020, a estimativa foi mantida em R$ 3,80.

Barbosa avalia que o cenário externo está mais desafiador e deve seguir pressionando os emergentes. Os juros estão caindo lá fora, mas devem cair aqui também, deixando o Brasil menos atrativos para investidores internacionais, observa o banco. O Bradesco estima que o “valor justo” do câmbio, com base nos fundamentos brasileiros, é ao redor de R$ 3,80 e não acima de R$ 4,00. “O câmbio hoje espera o crescimento para voltar ao normal”, disse o economista, ressaltando que o baixo desempenho da economia é um dos fatores que desencorajam estrangeiros a aportar recursos aqui.

Ibovespa em alta

Impulsionado pela forte valorização de ações de bancos, o Ibovespa emendou o terceiro pregão seguido de alta na sexta-feira, alinhado ao sinal positivo do índice Dow Jones, em Nova York. Com valorização em três das últimas cinco sessões, o índice da B3 encerrou a primeira semana de setembro com alta de 1,78%, mais do que apagando a queda de 0,66% em agosto. Itaú PN valorizou 3,35%, e Bradesco PN avançou 4,19%. No acumulado do ano, enquanto o Ibovespa subiu 17%, Itaú PN avançou 6,42% e Bradesco PN evoluiu 8,31%. /Estadão Conteúdo