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O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre registrou aceleração e deve ter crescido 0,6% em relação ao segundo trimestre (na margem), indicam consultorias.

A expansão foi na esteira de uma recomposição de parte das perdas ocorridas com a greve dos caminhoneiros entre maio e junho. No segundo trimestre, o PIB avançou 0,2%.

Quem puxou a economia pelo lado da oferta foi a indústria, enquanto pela via da demanda a tração veio dos investimentos. Para os analistas, o resultado das eleições em outubro não mudará muito o ritmo da atividade econômica até o final do ano, mas já pode ir influenciando as perspectivas de investimentos, seja positiva ou negativamente. A margem das projeções colhidas pelo DCI para o PIB fechado de 2018 vai de 1,2% a 1,6%.

A economista da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, comenta que a alta de 0,6% esperada para o PIB do terceiro trimestre foi puxada, principalmente, pelo avanço de 1% da atividade industrial, com destaque para a de transformação e, em menor escala, da extrativa.

“A indústria fará a grande diferença, mas mais pelo efeito base de comparação”, comenta Alessandra, explicando que parte da produção que foi interrompida nos meses de maio e junho deste ano, chegou a ser recuperada em julho e, com mais intensidade, em agosto último.

A economista da Tendências pondera que julho ainda foi “contaminado” pela greve, o que impede números melhores para a indústria no terceiro trimestre. Ela cita, por exemplo, a queda de 4,1% na produção de veículos entre junho e julho, segmento que, por outro lado, chegou a retomar crescimento de 18,6% no mês passado, na margem.

A projeção da 4E Consultoria para o PIB do terceiro trimestre (+0,6%) está em linha com a da Tendências. Giulia Coelho, economista da 4E, detalha que a sua previsão para o setor industrial é de expansão de 1,4% no período. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima, para o mesmo setor, alta de 2,1%.

Em comunicado divulgado ontem, o instituto especifica que este crescimento será puxado pelos segmentos de bens de capital e de consumo duráveis, os quais farão com que o setor industrial seja um dos responsáveis “pela melhora nos indicadores de mercado de trabalho ao longo de 2018”.

Já a Pezco Economics tem a projeção mais otimista dentre as instituições consultas pelo DCI. O economista desta consultoria, Helcio Takeda, calcula avanço de 4,3%, na margem, para a produção industrial no terceiro trimestre, o que deve ter levado a economia para um patamar de crescimento de 1,6% no período.

Retomada de projetos

Takeda ressalta que o desempenho da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, investimentos) também ajudou o PIB do terceiro trimestre, com expectativa de elevação de 2,7% no período. Isso também ocorreu, principalmente, pelo efeito base de comparação.

“No segundo trimestre, os investimentos caíram 1,8%. Neste trimestre, eles se recuperam e avançam um pouco mais. Projetos que não se realizaram em maio e junho estão se realizando agora. Materiais de construção que não foram entregues naquele período, já foram recebidos e possibilitaram a retomada de algumas obras”, comenta.

O Ipea (+2,1%), a Tendências (+1,7%) e a 4E (+1,2) também projetam crescimento na FBCF entre julho e setembro deste ano. Giulia Coelho comenta que a eleição de um presidente reformista pode ajudar na retomada da confiança dos empresários, influenciando positivamente, por sua vez, a perspectiva de uma retomada mais robusta dos investimentos a partir de 2019.

Para este ano, a especialista da 4E afirma que o cenário da atividade não deve ter muita mudança após o período eleitoral. A previsão de Giulia para o PIB fechado deste ano é de 1,4%. A Pezco (+1,7%), o Ipea (1,6%) e a Tendências (+1,2%) têm projeções relativamente semelhantes às da 4E para o indicador de atividade.

O Ipea reforçou em seu documento que os primeiros índices do terceiro trimestre estão apontando para uma recuperação lenta e gradual da atividade econômica. A instituição pondera que, apesar disso, a economia brasileira sofre com a ociosidade da capacidade produtiva. “O ritmo de crescimento só não é mais intenso devido às incertezas que ainda pairam no País”, completa o Ipea.

Giulia lembra que o elevado nível de ociosidade tem prejudicado o ritmo dos serviços, que devem crescer 0,5% no terceiro trimestre. A Pezco (+0,2%) e a Tendências (+0,3%) também estimam desempenho fraco para o setor. Segundo Takeda, este cenário é influenciado pela maior inflação em junho, que corroeu a renda dos trabalhadores.