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O Banco Pan já se prepara para a possibilidade de venda de 32,8% da participação da Caixa na instituição. Além do aumento de 66% da captação de recursos com depósitos à prazo, o banco projeta lançar novos produtos e consolidar sua vertente digital em 2019.

Os últimos dados do Banco Pan, divulgados ontem, apontam que a captação de recursos da instituição alcançou R$ 21,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 20,1% em relação ao mesmo período de 2018 (R$ 17,9 bilhões). A maior parte do avanço veio da alta de 66,1% dos depósitos a prazo na mesma base de comparação, de R$ 6,2 bilhões para R$ 10,3 bilhões.

“Continuamos trabalhando para gerar valor para os acionistas e o nosso passivo já mostra que estamos preparados para essa possibilidade [de venda da fatia societária pelo banco público]. As concessões da Caixa já têm diminuído nos últimos anos e já mantemos o máximo de carteira possível. A nossa estratégia já está alinhada com isso”, explica o presidente da instituição, Luiz Francisco Monteiro de Barros Neto.

Ele reitera ainda que, mesmo com a visão liberal do governo de Jair Bolsonaro e com a atual equiparação acionária da Caixapar (braço de participações do banco público) e do BTG Pactual, o conselho de administração do Banco Pan está “satisfeito com a estratégia conduzida internamente”.

“Existe uma série de coisas mais emergentes na agenda do governo e estamos desenvolvendo um trabalho bastante alinhado com a expectativa do conselho. De qualquer forma, nosso papel é trabalhar esse novo ciclo e gerar valor até que o governo entenda que seja o momento de tomar essa decisão”, complementa Neto.

Ainda segundo o balanço do Banco Pan, por exemplo, a participação dos acionistas na captação de recursos passou de 60% no primeiro trimestre de 2017 para 33% nos três meses findados em março.

O saldo de carteira de crédito originada do banco, que considera tanto os créditos retidos, como o saldo das carteiras cedidas para a Caixa, encerrou o primeiro trimestre em R$ 32,1 bilhões, contra os R$ 32,3 bilhões dos últimos três meses de 2018. A redução, segundo a instituição informou no balanço, seria justificada pela redução no volume de cessões para a instituição pública nos últimos períodos. A carteira retida pelo Banco Pan somou R$ 21,8 bilhões no intervalo de janeiro a março deste ano, um avanço de 14% ante iguais meses de 2018, quando era R$ 19,1 bilhões.

Ampliação de portfólio

Dentro da nova estratégia, o Banco Pan também projeta não somente consolidar seu banco digital neste ano, como também prevê uma ampliação de portfólio voltada para o público das classes C, D e E, como crédito pessoal, cheque especial, seguros e conta corrente e cartões sem tarifa.

“Esses clientes têm duas dores: a primeira é a questão das taxas e a segunda é o crédito, que muitas vezes acaba sendo em um limite inferior ao que eles precisam. Entendemos que essa proposta acabará com esses problemas e trará uma grande oportunidade para o banco”, disse o presidente.

Ele acrescenta, também, que parte da concessão de crédito alinhada com essa estratégia conta com as várias atualizações que a instituição fez ao longo dos últimos anos em termos de análise e consolidação de informações dos clientes. “É um diferencial em termos de agilidade dos nossos processos”, comenta Neto.