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O Bradesco projeta um crescente volume de crédito e uma maior margem financeira para o segundo semestre. O movimento compensaria os impactos de um possível novo corte de juros, mas também limita a queda da inadimplência até o fim deste ano.

No segundo trimestre, a carteira expandida de crédito do banco privado atingiu os R$ 560,5 bilhões, um aumento de 8,7% em relação ao visto em igual período de 2018.

De acordo com o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, apesar da desaceleração do crescimento da carteira de crédito apresentada no segundo trimestre, as expectativas são positivas para o segundo semestre.

“A carteira, principalmente no segmento pessoa jurídica, tem sofrido com o baixo desempenho da economia. Também observamos uma queda nos spreads, mas que foi compensada pelo maior volume de crédito. Agora, com a perspectiva de retomada para os próximos meses, o cenário deve ser mais favorável”, avaliou o executivo.

Na abertura por segmento, enquanto o crédito para pessoas físicas registrou uma alta de 14,8% em relação ao segundo trimestre de 2018 (de R$ 182,8 bilhões para R$ 209,9 bilhões), a carteira corporativa registrou avanço de 5,4% na mesma relação (de R$ 332,8 bilhões para R$ 350,7 bilhões).

“O movimento da linha de pessoas jurídicas é claro. As médias e grandes empresas basicamente se valerão mais do mercado de capitais, uma vez que acaba se tornando inviável captar recursos no banco comercial. E o crescimento virá principalmente das micro e pequenas companhias”, complementa Lazari.

Já do lado da margem financeira, o aumento foi de 7,1% no segundo trimestre frente os mesmos três meses de 2018, de R$ 13,507 bilhões para R$ 14,468 bilhões. A alta foi principalmente puxada pelo avanço de 25,9% da margem com mercado (de R$ 1,813 bilhão para R$ 2,283 bilhões).

A margem com clientes, por sua vez, totalizou R$ 12,185 bilhões, avanço de 4,2% na mesma base de comparação.

“A margem continuará representando um desempenho positivo ao longo dos próximos meses, mesmo com a queda nos spreads. A margem com clientes também começará a acelerar”, afirma Lazari.

“Não tem milagre”

Ao mesmo tempo, porém, os avanços na carteira de crédito, principalmente puxados por pessoas físicas, somado a um cenário de queda de spreads e possível novo corte da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC), deve limitar reduções mais expressivas nas despesas com provisões e na inadimplência do banco.

No segundo trimestre, as despesas com provisões caíram 0,5% em relação a igual intervalo de 2018, de R$ 4,369 bilhões para R$ 4,349 bilhões. Já a inadimplência total ficou em 3,23% no período, um recuo de 0,67 ponto percentual (p.p.) na mesma relação.

“Todo mundo já busca trabalhar com juros mais baixos no longo prazo porque não quer mais voos de galinha”, diz Lazari. Ele acrescenta ainda que, do lado dos calotes, as perspectivas são positivas.

“Ainda temos um espaço de melhora nesses atrasos até o final deste ano. Mas a carteira e o volume de crédito estão evoluindo. Isso limitará esse ciclo de redução e deve deixar a inadimplência mais nivelada a partir de 2020. A partir daí, não tem milagre”, conclui Lazari.