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Ao apostar no avanço da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e numa melhora na capacidade de articulação do governo, o mercado manteve o Ibovespa em terreno positivo para fechar em alta de 1,41%, aos 95.923,24 pontos.

O cenário externo colaborou, com os índices da bolsa de Nova York oscilando em patamares recordes, em meio a balanços positivos.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, o mercado precificou mais o avanço da reforma do que propriamente o seu conteúdo, até porque os investidores sabem que este é apenas o primeiro passo de uma longa tramitação. “O mercado reagiu à percepção de que o governo está novamente tomando as rédeas da situação, melhorando a articulação entre os parlamentares. Isso também é importante depois do episódio da interferência na Petrobras”, afirmou.

O bom humor do investidor foi alimentado desde cedo pelas informações sobre um acordo entre o governo e partidos que defendiam mudança no texto do relator da proposta na CCJ, deputado Marcelo Freitas (PSL-MG). Em entrevista coletiva no início da tarde de ontem, Freitas confirmou o acordo que o fez modificar seu texto em quatro pontos, todos eles sem impacto fiscal. “Vamos conseguir votar a reforma”, prometia o relator.

A melhora da percepção de risco se refletiu em quase todas as blue chips do mercado, mas especialmente nas do chamado “kit Brasil”. Foi o caso de Banco do Brasil ON, que subiu 2,01%, e de Eletrobras ON, com ganho de 3,37%.

Já os papéis da Petrobras mostraram recuperação de perdas recentes, ajudados pela alta dos preços do petróleo, mas principalmente pela decisão da empresa de promover alteração na forma de divulgar ajustes de preços da gasolina e do diesel, passando a registrar valor por ponto de venda, e não mais pela média do mercado. Ao final dos negócios, Petrobras ON e PN subiram 0,81% e 0,87%.

Segundo Ilan Arbetman, da Ativa, a decisão da estatal foi bem recebida porque reforça sua independência, em uma nova resposta à questão da interferência de Bolsonaro.

Mercado cambial

O dólar viveu uma sessão de extremos ontem. Pela manhã, o dólar varou o teto de R$ 3,95 e correu até máxima de R$ 3,9638 (maior nível intraday desde 28 de março), insuflado pela alta global da moeda americana e pela postura defensiva dos agentes à espera da reunião da CCJ da Câmara para votar a admissibilidade da reforma da Previdência Social.

O fôlego altista começou a arrefecer à tarde de ontem, quando saiu a notícia de que o governo havia acertado os ponteiros com o Centrão em torno da retirada de 'jabutis' do texto da reforma e minguou de vez com o início da sessão do colegiado. Depois de descer até mínima de R$ 3,9142, o dólar à vista fechou a R$ 3,9219, em queda de 0,28%, na contramão da tendência de valorização da moeda americana ante outras divisas emergentes.

“Muita gente fez hedge pela manhã com dúvidas sobre a CCJ. Com esse acordo do governo e a perspectiva de aprovação, houve uma zeragem de posições defensivas e o dólar caiu”, diz o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, ressaltando que, apesar do alívio no fim do dia, o dólar tende a trabalhar ao redor de R$ 3,90 enquanto não houver sinais claros de que a reforma não será diluída na Câmara. /Estadão Conteúdo