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O presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, disse ontem que a companhia – controlada pelo Banco do Brasil e Bradesco – entrará na concorrência pela área de adquirência da Caixa Econômica Federal.

“Nós conhecemos a operação [atendemos a Caixa em adquirência] e temos todo o interesse em participar do processo de concorrência”, afirmou Paulo Caffarelli à imprensa, após apresentar os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2019. Segundo o executivo, o assunto está sendo discutido pelo Conselho de Administração da companhia aberta.

A Caixa Econômica Federal está entre as 3 principais instituições financeiras atendidas pela Cielo, juntamente com o Bradesco e Banco do Brasil, os dois últimos controladores da credenciadora.

Vale lembrar que no último dia 29 de março, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, lamentou que o banco público não tenha sua própria adquirente (credenciadora de estabelecimentos). “Na nossa estimativa, a Caixa perde R$ 1 bilhão por ano por não ter um adquirente”, disse Guimarães aos jornalistas.

E uma semana depois, a estatal abriu um processo [concorrência] para selecionar um parceiro nesta área. Ou seja, a disputa está em aberto tanto para a Cielo como para outras empresas.

Novas condições

Em mais um capítulo da chamada “guerra das maquininhas”, Caffarelli informou que a partir de hoje (25) também oferecerá máquina grátis para clientes que alcançarem o volume financeiro mínimo mensal de R$ 1,6 mil por três meses seguidos. E na mesma toada dos anúncios recentes em cascata da Rede, SafraPay e PagSeguro, a Cielo a partir do final do mês de maio também vai antecipar recursos de “forma instantânea” para os clientes que tiverem conta digital na Cielo. “Estamos conversando com os bancos parceiros [Bradesco, BB e Caixa], mas não estamos limitando para banco algum”, garantiu o executivo.

Questionado por jornalistas sobre uma eventual prática de “dumping” de grandes credenciadoras como a denunciada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pela Associação Brasileira de Instituições de Pagamento (Abipag), Caffarelli esquivou-se de comentar sobre a atuação de outras empresas do setor, mas respondeu que a Cielo preza pela transparência aos seus clientes. “Deixamos claro para o cliente, qual é o preço final que ele paga, sem asteriscos”, afirmou o presidente.

Quanto ao balanço da companhia detalhado ontem pelo diretor vice-presidente financeiro Gustavo Henrique Santos de Sousa, a Cielo reportou lucro líquido de R$ 548,5 milhões no primeiro trimestre de 2019, valor 45% menor quando comparado com igual período de 2018. Ao mesmo tempo, Sousa destacou o aumento de 5,7% da base de clientes para 1,211 milhão, e o crescimento de 20,1% da base ativa de terminais para 1,916 milhão, ante número de igual trimestre do ano passado.

Comunicado da Rede

Em nota sobre o pleito da Abipag ao Cade, a Rede disse que as informações da referida associação são infundadas. “Não há venda casada. Fica mantida a possibilidade de escolha pelo cliente de adquirir ou manter o produto credenciamento nas condições tradicionais (30 dias) independentemente do domicílio bancário escolhido. O que o cliente passa a ter é a opção de escolher uma condição comercial diferenciada na aquisição dos produtos conta corrente e credenciamento. Além disso, ele tem total liberdade de permanecer ou não com seus recursos no banco, não havendo qualquer obrigação de manutenção de saldo mínimo”, rebateu a nota.