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A inflação oficial acelerou 0,4% em maio e deve ser ainda maior em junho, com efeito da greve dos caminhoneiros. Contudo, na avaliação de especialistas, a taxa deve fechar este ano não somente dentro da meta, de 4,5%, como abaixo dela, entre 3,6% e 3,9%.

Apesar da alta do IPCA, o acumulado de 2018 até maio (1,33%) foi o menor para o período desde a implantação do Plano Real. “No acumulado do ano, os preços médios dos itens de consumo tiveram muita queda, basicamente porque a economia ainda se encontra em um estágio de quase não crescimento, saindo de um período de crise para uma recuperação muito lenta. Então, não há pressão para um aumento de preços”, explica o professor do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, Nuno Fouto.

“Essa inflação é reflexo do problema da economia não estar deslanchando. Não estamos com a inflação baixa porque está tudo sob controle, mas sim porque estamos com problemas econômicos”, afirma o professor da Graduação em Ciências Contábeis da Faculdade Fipecafi, George Sales.

Com esse cenário, a previsão dos especialistas ouvidos pelo DCI é de que a inflação deste ano não alcançará o centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetária Nacional (CMN), mas deverá ficar mais próxima do piso, de 3%.

Outros fatores, entretanto, podem alterar as projeções para a economia brasileira neste segundo semestre de 2018, como a recente alta do dólar, que chegou a ser cotado em R$ 3,84 na última quarta-feira (6), e aumentou a pressão para que o BC [Banco Central] venha a interferir na taxa de juros. O próprio presidente instituição, Ilan Goldfajn, afirmou, porém, que não usará política monetária para controlar os níveis do câmbio.

“A probabilidade do BC interferir na taxa de juros é pequena, e não seria necessária. O aumento dos juros seria para frear a economia, que teoricamente estaria aquecida, o que não é o caso, portanto não faz sentido aumentar os juros para conter o dólar. Existe a capacidade de controlar, existe reserva, o problema na verdade é a pressão política e do mercado”, diz Fouto. Atualmente, a taxa Selic está em 6,5% ao ano e a previsão é de que feche 2018 neste patamar.

Impacto da greve

Ainda segundo o professor, o valor dos combustíveis, que levou à greve dos caminhoneiros no último mês, ainda deverá ter impacto no resultado da inflação dos próximos resultados. “Se o preço da gasolina se mantiver em patamar alto e o preço dos fretes for realmente reajustado, como deve acontecer, isso será repassado não só ao setor de transporte, mas também à cesta de consumo.”

“O mercado subestimou o impacto da greve no resultado do IPCA de maio. Mas essa aceleração será ainda maior no mês de junho, quando os efeitos da paralisação serão sentidos de maneira mais intensa, tanto no setor de transporte quanto no de alimentação”, reforçou ao DCI o economista da Mongeral Aegon Investimentos, Breno Martins.