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Cerca de 80% dos brasileiros não acredita na rápida evolução do sistema financeiro para adequação às novas tecnologias de meios de pagamentos. A ampliação do uso dessas inovações e a maior confiança no mercado ainda são forte desafio para o segmento.

Os dados são de um levantamento realizado pela Mastercard em parceria com a Kantar com mil respondentes entre 18 e 35 anos com conta bancária e que com acesso a um smartphone.

Segundo as informações, apenas 22% dos entrevistados esperam que as lojas não aceitem mais pagamentos em dinheiro – abaixo da média de 29% observada na América Latina –, e somente 20% esperam uma evolução de convergência no mercado, onde todas as suas finanças e cartões fidelidade fossem vistas em um único painel.

De acordo com a vice-presidente de marketing e comunicação da Mastercard para Brasil e Cone Sul, Sarah Buchwitz, apesar da expectativa dos jovens ser grande em relação às novas tecnologias, questões de fiscalização e regulamentação trazem descrença sobre a evolução do sistema financeiro nacional.

“O brasileiro é um early adopter, mas não confia muito no sistema. Os números de infraestrutura acabam sendo mais baixos e isso é um contraponto. Além disso, superar barreiras emocionais e funcionais é fundamental para que possamos evoluir nesse novo mundo de pagamentos”, diz.

Ainda segundo os dados do estudo, por exemplo, 41% dos respondentes afirmam que até estariam dispostos a utilizar novas formas de pagamentos, mas desde que sejam recomendados ou que estejam mais comprovados pelo mercado. Além disso, quase um quarto da pesquisa (24%) disse que não experimentaria um novo método pela preocupação com a segurança.

Para o CEO Global da Mastercard, Ajay Banga, um dos maiores desafios do mercado é a confiança do usuário no setor. “Precisamos resolver os atuais problemas que as pessoas têm com os cartões de crédito e bancos. E a tecnologia está derrubando as barreiras que existem para fazer com que essa evolução aconteça junto com a sociedade”, opina.

A pesquisa da Mastercard também aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros confiariam em uma empresa menos conhecida para fornecer produtos financeiros, enquanto outros 61% teriam disponibilidade de consumir esses novos serviços caso houvesse o respaldo de uma companhia reconhecida no mercado.

De acordo com Buchwitz, porém, a evolução do mercado brasileiro em termos de abertura de mercado e o crescimento já observado nos pagamentos por aproximação, por exemplo, refletem uma tendência positiva para o segmento nos próximos meses.

“O forte uso do dinheiro tem uma questão de hábito e conforto, mas também tem relação ao desenvolvimento do mercado contactless”, explica.

“Ainda não deslanchou totalmente porque o mundo de meios de pagamento precisa que todo o ecossistema funcione. E apesar da aceitação já ser grande, somente em abril começamos a ver a emissão dos cartões com a tecnologia NFC [Near Field Communication] evoluir”, acrescenta a vice-presidente da Mastercard.

Jaboticabas brasileiras

Mesmo com as expectativas voltadas para uma evolução mais forte dos pagamentos por aproximação, no entanto, as chamadas “jaboticabas brasileiras” – situações que só acontecem no País – podem ser um desafio futuro para o setor.

Questões como a diversidade de pagamentos parcelados, a oferta de notas fiscais e a limitação do valor em R$ 50 para transações contactless sem senha, por exemplo, ainda não foram abordados pelos avanços da nova tecnologia.

Conforme a pesquisa, porém, 68% dos consumidores optam pelo pagamento em dinheiro em compras pequenas. Para compras medianas, esse número vai para 61% e cai para 33% em compras grandes.

“O papel do pagamento por aproximação é muito mais voltado para tickets baixos e para a substituição do dinheiro na ponta. Mas o limite de R$ 50 é um número que é discutido conforme a tecnologia e a adoção evoluem. Precisamos esperar pra ver”, complementa Buchwitz, da Mastercard.