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As ações atreladas à commodities terão melhor desempenho ao longo dos próximos meses. Ainda que o cenário internacional possa ter influência no segmento, a expectativa é que tais empresas comecem a trazer performances melhores pelo próprio operacional.

Dentre as seis carteiras avaliadas pelo DCI (sendo elas da Ativa Investimentos, Coinvalores, Guide Investimentos, Planner Corretora, Terra Investimentos e Toro Investimentos), por exemplo, a Petrobras, cujos papéis são bastante influenciados pelo preço do petróleo, aparece em cinco citações.

Além dela, ações voltadas para minério de ferro e aço também aparecem com frequência. São citadas Gerdau, Usiminas, Vale e Braskem.

De acordo com o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, há uma reunião de fatores que sinalizam uma possível recuperação das empresas que possuem seu core atrelado a esses produtos.

“Em termos operacionais, por exemplo, a Petrobras ainda tem muito a render, principalmente com sua política de desinvestimentos. E assim é com os demais papéis atrelados às commodities. Não será um caminho fácil, mas eles já começam a responder por atributos próprios e podem ter ganhos no médio prazo”, avalia o especialista.

Já para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o cenário internacional, significativamente calcado na guerra comercial entre Estados Unidos e China, ainda é um ponto de cautela razoável.

“Temos uma preocupação com o que os acontecimentos do exterior podem causar no mercado emergente. Há uma grande atividade relacionada à commodities que podem sentir certa aversão ao risco a partir de como essa questão de desenrole”, completa.

Atividade doméstica

A maior atenção no exterior, porém, não tira o maior foco das carteiras no ambiente doméstico, com as sinalizações de recuperação da atividade econômica e a melhora plausível de determinados segmentos. Papéis relacionados ao consumo e à construção civil, além do setor de energia, também são apostas para o mês.

“De forma mais pontual, o andamento da agenda de reformas do governo continua no radar, melhorando a confiança no consumo. Além disso, as concessões de energia previstas até o final do ano e a própria construção civil tem potencial para recuperar na esteira”, afirma o analista da Guide Investimentos, Luis Sales.

Entre os papéis voltados para consumo citados, estão Lojas Renner, Pão de Açúcar, Natura e Magazine Luíza. Entre os relacionados à construção civil, se destacam Cyrela e Even. Já nas ações atreladas ao setor elétrico, foram mencionadas Engie, Equatorial, Energias do Brasil e ISA CTEEP.

Os especialistas também ponderaram certa atenção para os títulos que podem ter ganhos a partir do marco legal das telecomunicações. Entre os mencionados, estão Tim Brasil e Telefônica Brasil. “O varejo brasileiro é esticado e vivemos choques que dificultaram um reaquecimento mais cedo da economia. A recuperação acontece, mas devagar”, conclui Arbetman.