Publicado em

Com a pretensão de disponibilizar em cinco dias os recebíveis aos comerciantes, a nova modalidade de financiamento – crediário lojista com juros – deve promover maior competitividade aos pequenos e médios negócios no País.

O produto que está sendo incentivado pelo Sistema Financeiro Nacional deve, na prática, aliviar o caixa dos lojistas, os quais muitas vezes comprometem o capital de giro nas compras a prazo.

“Por mais que este seja um produto recém-lançado e que ainda está sob análise dos comerciantes, essa nova opção de financiamento deve complementar o portfólio atual dos lojistas e ser um meio para evitar o comprometimento do capital de giro desses pequenos e médios varejistas”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Cartões de Crédito (Abecs), Ricardo Vieira.

De acordo com o dirigente, o novo crediário vai possibilitar que o lojista promova maiores descontos aos consumidores em virtude do recebimento antecipado. “A linha de financiamento é boa para todos, mas em especial para os pequenos varejistas”, complementou o representante da entidade de empresas de cartões.

Na mesma linha de raciocínio, o presidente da MasterCard Brasil, João Pedro Paro Neto, argumenta que há necessidade do lojista e também do consumidor passar por um período de “aculturamento” da nova opção de financiamento ao consumo. “Como é um produto novo, a parte operacional ainda deve ser construído do zero assim como a experiência do consumidor. No entanto, pelo fato dessa opção oferecer prazos mais longos, os varejistas de menor porte devem apresentar grande adesão nesse sentido”, afirmou Neto, destacando que existe expectativa de expansão entre 5% a 10% nesse nicho de mercado.

Para ele, o primeiro movimento que deve ocorrer com a implementação desse novo crediário é uma fase “educacional”, na qual as duas pontas (tanto lojista como o consumidor) devem estabelecer uma relação de transparência sobre os benefícios e implicações de tal modalidade. “Em um primeiro momento, essa discussão ainda está incipiente, vejo uma maior maturação dessa opção de financiamento num horizonte de três anos”, afirmou o executivo.

Assim como o dirigente da Abecs, Neto ressalta que o grande “trunfo” competitivo do crediário lojista reside na antecipação dos recebíveis e, portanto, em um capital de giro menos comprometido nos pequenos negócios. “Por exemplo, no mercado de geladeiras: metade desse setor é concentrado em grandes empresas, as quais têm diversas formas de financiamento, e a outra é bem pulverizada por pequenos e médios. A adesão deve ocorrer por essa outra metade que pode desfrutar de prazos mais longos e melhores condições”, destacou o executivo, lembrando também que tais circunstâncias devem resultar em preços mais atraentes para o consumidor.

Um dos exemplos de lojistas atentos à implementação dessa nova forma de financiamento é rede de calçados Mil e Sapatilhas. “Vamos aos poucos um movimento das operadoras de cartão para a implementação dessa nova modalidade. Consideramos bastante vantajoso essa proposta em virtude da possibilidade de antecipação do valor da compra. No entanto, precisamos ainda que essa novidade se torne popular entre os consumidores”, argumentou o franqueado da rede de calçados, Lucas Marcolino.

De acordo com o executivo, um dos principais benefícios desse novo crediário reside no fato do negócio conseguir maior “previsibilidade” na negociação de taxas com os bancos e, consequentemente, uma composição do estoque mais assertiva juntamente com os seus fornecedores.

 

Guerra das máquinas

“O leque de negociação com o fornecedor deve se abrir com essa novidade. Porém, tudo vai depender do desenvolvimento disso no mercado”, afirmou Marcolino, ressaltando que atualmente o negócio tem parceria com a credenciadora de um grande banco. Porém, o empresário conta que pensa em revisar este contrato, tendo em vista que uma credenciadora concorrente divulgou a isenção de taxas na antecipação dos recebíveis aos lojistas.