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O dólar subiu 1,64% e fechou em R$ 3,9864, o maior nível desde 1º de outubro, quando fechou em R$ 4,02. A valorização refletiu o fortalecimento da moeda americana no exterior, tanto ante divisas fortes, com o euro caindo às mínimas desde 2017, e principalmente em relação as emergentes.

Só na Argentina, a alta do dólar foi de 3%, em meio aos temores da volta de Cristina Kirchner ao poder nas eleições presidenciais de outubro. Fatores domésticos também pesaram no câmbio ontem, principalmente a piora das aprovação do presidente Jair Bolsonaro, segundo mostrou pesquisa do Ibope, e a avaliação de que a tramitação das medidas que alteram as aposentadorias na comissão especial da Câmara dos Deputados não deve ser fácil.

A moeda americana fechou em queda na terça-feira, antecipando a aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que só veio no final da noite. Ontem, o dólar engatou alta na abertura e chegou a R$ 3,9937 na máxima, no início da tarde, acompanhando o fortalecimento da moeda no exterior, que respondeu a uma série de fatores: indicadores fracos da Alemanha, mudança de direção do Banco Central do Canadá e renovados temores sobre os rumos do Brexit após a imprensa inglesa informar que as negociações entre conservadores e trabalhistas no Parlamento estão próximas do colapso.

Nesse ambiente, o índice DXY, que mede o comportamento do dólar perante uma cesta de moedas fortes, incluindo o euro e o dólar canadense, subiu aos maiores níveis desde junho de 2017. Nos emergentes, pesquisas recentes indicam que Cristina Kirchner pode vencer em vários cenários em eventual segundo turno, o que fez o peso ser a moeda mundial que mais perdeu valor ante o dólar, contaminando outros mercados da região, como a Colômbia.

"As moedas de emergentes permanecem sob pressão", destaca o estrategista em Nova York do banco de investimentos Brown Brothers Harriman (BBH), Win Thin. No caso do real, ele avalia que a perspectiva para o comportamento da moeda é complicada, por conta da crescente possibilidade de a tramitação da Previdência Social no Congresso demorar mais que o esperado e a aprovação sofrer atrasos.

Na avaliação do operador de câmbio da CM Capital Markets, Thiago Silêncio, o mercado espera que a tramitação da reforma na comissão especial não vai ser fácil. Para ele, o mercado externo "azedo" nesta quarta, a pesquisa do Ibope sobre Bolsonaro com o pior desempenho em início do governo na comparação com outros presidentes, o dado fraco do Caged, mostrando fechamento de 43 mil vagas, estimularam um movimento de correção técnica no dólar, que se ampliou à medida que o dólar ia ganhando força no exterior.

Realização no Ibovespa

O Índice Bovespa oscilou em terreno negativo desde a abertura e encerrou o pregão de ontem em queda de 0,92%, aos 95.045,43 pontos. Na análise por ações, um dos principais destaques foi Vale ON, que teve perda de 3,00%. Além de refletir a piora do humor do investidor, o papel sofreu influência da queda de mais de 1% dos preços do minério de ferro no mercado à vista chinês. As ações mais sensíveis ao risco político também tiveram perdas superiores à média do mercado. Banco do Brasil ON terminou o pregão em queda de 2,03% e Eletrobras ON perdeu 4,01%. /Estadão Conteúdo