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A expectativa dos consumidores brasileiros para a inflação nos próximos 12 meses é de 5,4%. Desde 2017, essa projeção está mais convergente com a avaliação do mercado e, assim, com o índice oficial de inflação, o IPCA.

Essa perspectiva dos consumidores para a dinâmica dos preços no País – cuja pesquisa é divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) –, tradicionalmente é superestimada pela população.

Contudo, ela vem reduzindo. Em fevereiro de 2016, por exemplo, os brasileiros previam inflação a 11,6% para os próximos 12 meses, enquanto o mercado esperava 7,57%, segundo o relatório Focus do Banco Central (BC) – uma diferença de 4,10 pontos percentuais. O IPCA estava em 10,36% em 12 meses até fevereiro daquele ano.

Conforme divulgado ontem tanto pelo BC, quanto pela FGV, os consumidores aguardam inflação próxima a 5%, e os economistas próximo a 4,10%. Uma diferença de quase 1 ponto. O IPCA está em torno de 4,5%.

Para o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Fernando Botelho, a atuação do Banco Central causa essa mudança de visão.

“Em geral, as pessoas tendem a perceber a inflação maior do que ela realmente é, mas com sucesso do BC em combater o índice, a população tem percebido que o preço das coisas tem subido menos, e alguns têm até caído e, com isso, essa percepção se consolida”, explica ao DCI.

“Além disso, o Banco Central está recuperando a credibilidade e comunicando melhor o que ele vai fazer para combater a inflação, como a interrupção do fluxo de queda da taxa Selic, gerando confiança tanto para a população, quanto para o mercado”, acrescentou.

Segundo Botelho, a relação dos brasileiros com a inflação passou por mudanças após os piores anos da crise econômica. “Entre 2014 e 2015, nós vimos uma aceleração do processo inflacionário, e quanto mais às pessoas acreditavam em um aumento mais difícil era combatê-lo. A população volta agora a esperar que a inflação será baixa, o que torna mais fácil controlá-la”, diz o professor da FEA-USP.

Por outro lado, o fraco nível de atividade econômica também contribui para uma percepção de preços menores.

Segundo Botelho, essa convergência tem um efeito benéfico na economia. “Quando as pessoas forem negociar aumento de salários, por exemplo, vão exigir aumentos menores porque já esperam uma inflação menor”, entende.

“O governo firmou um compromisso com a estabilidade dos preços, que começou em 2016”, ressalta o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), Pedro Guilherme Costa Ferreira.

O coordenador Laboratório de Finanças (LABFIN) da Fundação Instituto de Administração (FIA), Claudio Felisoni de Ângelo, também explica que existe uma diferença da metodologia aplicada para o cálculo do IPCA (cesta específica de produtos) e o que a população compra de fato, por isso, se os preços caem no geral, a percepção da população se iguala ao indicador oficial.