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Os Fundos de Investimentos em Direito Creditório (FIDCs) devem crescer dois dígitos em 2019. O impulso surge tanto da melhora econômica, como do maior número de empresas que veem o produto como alternativa de crédito e pela ampliação do mercado ao varejo.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontam que o patrimônio líquido dos FIDCs alcançou R$ 113,3 bilhões até o último dia 28 de dezembro, alta de 2,2% em relação ao observado no mês anterior (R$ 110,8 bilhões). A captação líquida do produto em 12 meses, por sua vez, registrou R$ 5,720 bilhões.

Para este ano, o vice-presidente do comitê de FIDCs da Anbima, Bruno Amadei, reitera a expectativa de um maior movimento de migração das empresas para o produto e bons reflexos provenientes das “questões regulatórias” que foram aprovadas no final de 2018.

Em outubro do ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu flexibilidade à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a edição das normas relativas à FIDCs, permitindo a expansão do investimento ao varejo e a exclusão da necessidade de um valor mínimo para aquisição de cota dos fundos.

“Além da grande concentração bancária e da falta de dinheiro subsidiado trazerem o olhar das empresas ao mercado de FIDCs, as diversas questões regulatórias aprovadas no ano passado também aumentam a demanda para o produto”, explica o executivo.

“São ótimos sinais para 2019. Com o cenário econômico mais estável, o maior foco em fundos estruturados em plataformas de varejo e o maior espaço para o mercado de capitais manterão um movimento significativo de crescimento para 2019 e 2020 pelo menos”, acrescenta Amadei.

Já em termos da retomada econômica, o diretor de asset da SRM, Fabio Ohara, comenta que o mercado de FIDCs também retratará o bom humor dos investidores e dos empresários a partir do momento em que a agenda de reformas comece a dar resultados.

“A incerteza vista em 2018 estavam segurando grande parte das movimentações. O mercado também sente quando o cenário começa a melhorar”, afirma Ohara.

Ele reforça, no entanto, a necessidade de avanços na fiscalização do segmento que, segundo o executivo, teve as fraudes como um dos maiores problemas durante os anos de crise econômica no País.

“É preciso agentes sérios fazendo um trabalho bem feito, exatamente para que não haja originação errada ou fraude. Mas isso também faz parte da evolução do mercado”, destaca Ohara, da SRM Asset.

Expansão

Quanto à maior procura das empresas por FIDCs como alternativa de crédito, os especialistas reiteram que a demanda começou a aumentar já ao final do ano passado e traz estimativas de alta para 2019.

Segundo o diretor da Associação Nacional dos FIDCs (Anfidc), Alberto Jorge Ferraz Gonçalves, grande parte desse movimento das companhias também acontece pela forte concentração bancária.

“Além disso, grande parte dessa alta também vem muito do vácuo da concentração bancária, com essas instituições apostando em nichos diferentes e deixando algumas empresas desassistidas”, diz.

Nesse ambiente, os juros pagos aos investidores para remuneração são substancialmente mais baratos do que os pagos aos bancos por financiamentos. A média de prêmios, por exemplo, fica entre CDI+1 e CDI+2,5 para riscos normais.

Gonçalves pondera, ainda, que todo esse cenário corrobora para o crescimento do setor. “A projeção para 2018 em fundos multisacados e multicedentes é de um avanço de 20% e a estimativa é que 2019 continue com altas de dois dígitos”, conclui o executivo.