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O mercado de capitais está se tornando mais atrativo para as pessoas físicas (PF), diante de um cenário de taxa de juros em um patamar mais baixo e do crescimento dos canais de informação, das plataformas e de agentes de investimentos.

É o que mostra um estudo da Deloitte e do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), com 64 empresas de capital aberto na bolsa brasileira (B3). A pesquisa revelou que 60% das companhias registraram aumento no número de investidores pessoa física. Ou seja, seis em cada dez empresas identificaram essa expansão, entre 2018 e 2019.

Dentre os principais motivos para a alta, a mais citada é o maior interesse pelo mercado de capitais (61%), seguida da popularização das plataformas de investimento (55%) e da taxa básica de juros (Selic) em um patamar mais baixo (36%) – hoje a Selic está em 6,50% ao ano.

A queda dos juros básicos de 14,25% em outubro de 2016, a 6,50% em março de 2018 diminuiu muito a rentabilidade dos títulos de renda fixa indexados à Selic. Com isso, os investimentos na bolsa acabaram se tornando mais atrativos, diante da possibilidade de lucros maiores.

“Aliado a isso, temos uma maior diversificação de informações; canais [no YouTube, por exemplo] onde é possível entender mais sobre o que é um investimento em bolsa”, disse o presidente da Diretoria Executiva do IBRI, Guilherme Setubal, durante a apresentação do estudo.

Com o mesmo peso dos juros baixos, as empresas também indicaram a confiança na economia (36%) como um fator relevante para o aumento dos investidores na bolsa. Ronaldo Fragoso, líder do Centro de Excelência em Aspectos Regulatórios e Governança Corporativa da Deloitte, comentou que essa resposta surpreende, tendo em vista o cenário ainda muito fraco da atividade. Porém, para ele, esse fator é um indicativo de que quando a economia melhorar, a quantidade de investidores na bolsa tende a crescer em um ritmo mais ágil do que hoje.

Outros motivos que impulsionaram o crescimento dos investidores pessoa física foram: aumento de agentes autônomos de investimento (33%), aumento de canais do YouTube sobre investimentos e finanças pessoais (21%), esforço dirigido na captação de investidores pessoa física (21%) e maior concorrência entre corretoras (9%).

Apesar do aumento de investidores, apenas 21% das empresas entrevistadas têm uma prática voltada à captação desse grupo de investidores, o que sugere que há um espaço importante para as organizações ocuparem essa fatia do mercado de capitais.

“Considerando esse cenário desafiador, no qual a economia e os investimentos estão em compasso de espera, os RIs [Relações com Investidores] podem aproveitar o momento e se prepararem para atender ao crescimento de um público formado por pessoas físicas cada vez mais bem informadas”, ressaltou o estudo.

Aprimoramento

A pesquisa mostra ainda que 69% das empresas estão investindo em novas tecnologias e formas de trabalhar. Entre as práticas de inovação mais adotadas pelas empresas estão: acompanhamento os indicadores de Relação com Investidores (RI) (59%), implementação de novas tecnologias para ampliar os canais de comunicação (50%) e utilização de novos formatos de relatório (47%), elenca o estudo.

“Esse é um indicador de como as transformações na função de RI têm seguido principalmente a direção de acompanhar o atual dinamismo do mercado e também a de apoiar um processo de comunicação mais eficaz e personalizado com os públicos de interesse”, ressalta a pesquisa.

Contudo, somente 8% das empresas entrevistadas aplicaram tecnologias de dados, automação e cognitiva na área de Relações com Investidores. A maior parcela (62%) respondeu que ainda não pensou em adotar essas ferramentas.

“Essas tecnologias podem ajudar a área de RI a captar e monitorar frequentemente o valor percebido do mercado sobre a sua organização, por meio do acompanhamento dos diversos canais de comunicação da empresa, o que ajuda a tornar mais eficientes as suas estratégias de captação”, explica a Deloitte e o IBRI.

Além disso, 80% dos entrevistados destacaram ainda não ter pensado a respeito da adoção de ferramentas de inteligência artificial.