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A grande maioria das novas contratações com carteira assinada entre janeiro e julho de 2019 possui remuneração de até dois salários mínimos. Nos anos de recessão (2015-2016), grande parte dos postos gerado oferecia apenas um salário.

É o que mostra levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre mercado de trabalho, divulgado ontem. A economista da casa, Maria Andreia Lameiras, afirma que os números indicam uma recuperação da média salarial de contratação em relação aos patamares pré-crise.

“Estamos conseguindo voltar à normalidade. Historicamente, a maioria das vagas com carteira assinada gerada no Brasil sempre teve remuneração de até dois salários mínimos”, destaca. “Nos anos de crise, 2015,2016 e 2017, não estávamos conseguindo ultrapassar um salário”, acrescenta Lameiras.

Segundo o estudo, observa-se que apenas no perfil de emprego salarial de um a dois salários mínimos, o número de contratações supera o de demissões. Para os demais níveis salariais, a dispensa de trabalhadores é maior que as admissões.

No relatório, o instituto aponta ainda que, na sua grande maioria, os trabalhadores demitidos são aqueles com menos tempo de permanência no emprego. Nos últimos doze meses até julho, enquanto na indústria, no comércio e nos serviços quase a metade dos demitidos estava trabalhando há menos de um ano, na construção civil esse percentual avança para 62%.

Em contrapartida, a menor parcela dos trabalhadores dispensados é formada por aqueles que possuíam mais de cinco anos de permanência no emprego. Se na indústria de transformação essa parcela corresponde a 14%, na construção civil não chega a 5,0%

No recorte por estado, o Ipea mostra que houve queda do desemprego em 14 unidades da federação (UFs) em 2019 (janeiro a julho) na comparação com o final de 2018. Nos outros 13 estados, a desocupação registrou alta.

O relatório destaca, no entanto, que na grande maioria dos estados onde houve alta do desemprego, isso ocorreu não por um aumento das demissões, mas, sim, por uma expansão mais significativa da força de trabalho. Apenas no Acre, Maranhão e Paraíba, o aumento de desemprego ocorreu pela alta das demissões.

Além disso, enquanto as famílias de renda muito baixa registram um recuo de 1,4% nos seus rendimentos médios reais no segundo trimestre de 2019, o segmento mais rico da população aponta uma expansão salarial de 1,5%.