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São Paulo - Entre janeiro e novembro de 2017, 43.202 empresas compraram no exterior, superando as 42.517 companhias que realizaram esse tipo de operação em todo o ano passado. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

O aumento da quantidade de importadoras segue em linha com o avanço dos gastos com produtos estrangeiros. Até novembro, US$ 138,1 bilhões foram usados nas compras internacionais, mais que os US$ 137,6 bilhões registrados em 12 meses de 2016.

Consultor de importações no ramo de vinhos, Raphael Allemand, da EOC International, diz que a valorização do real, na comparação com os primeiros meses do ano passado, e a retomada da demanda no Brasil favoreceram o avanço dos negócios ao longo de 2017.

"Essa recuperação está acontecendo, mas, como o consumo ainda está tímido, as empresas estão trazendo produtos mais baratos [do exterior]", diz o especialista. Segundo ele, a demanda por itens mais caros, como vinhos com preço superior a 100 euros, ainda sofre os efeitos da recessão. "Alguns produtos com valor mais alto não voltaram a ser comprados."

O impacto da crise também pode ser percebido na aquisição de bens de capital. Apesar de uma melhora nos dados ter sido registrada durante os últimos meses, a importação de máquinas e equipamentos continuou em baixa no acumulado entre janeiro e novembro, com uma queda de 13,4% na comparação com igual período do ano passado.

"A indústria, que é a grande responsável pelas compras de bens de capital, ainda está começando a se recuperar da crise e continua com capacidade ociosa alta. Por isso que ainda não é visto um crescimento robusto", diz Antônio Carlos Alves dos Santos, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).

Por outro lado, a tendência é que as compras avancem no ano que vem. "A recuperação da economia já causa um aumento das importações de insumos, o que deve favorecer também as compras de máquinas", afirma Pedro Estevam, presidente da câmara setorial de máquinas e implementos agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Mesmo com a recuperação vista neste ano, a quantidade de companhias importadoras segue bem abaixo do patamar anterior à crise econômica. Em 2014, quando o pico da série histórica foi atingido, 49.586 empresas compraram produtos do exterior.

Companhias exportadoras

Já o forte aumento das vendas internacionais, que somaram US$ 200,1 bilhões em 2017, alta de 18,2% no confronto com 2016, não é acompanhado por um avanço no número de empresas exportadoras. Até novembro deste ano, 24.875 firmas realizaram esse tipo de operação, contra 25.541 em 12 meses de 2016.

Segundo Alves, o crescimento do valor das vendas é causado por um aumento no valor de alguns produtos básicos, como o petróleo e o minério de ferro, e pela expansão da demanda argentina por produtos da indústria automobilística brasileira. "Esses fatores não estão necessariamente ligados a um avanço no número de empresas exportadoras."

Além disso, o entrevistado afirma que a entrada no comércio exterior é bastante complicada para as companhias brasileiras. "A concorrência é grande e temos algumas limitações de infraestrutura no País, o que prejudica principalmente as empresas menores que queiram exportar."

O número de companhias que realizaram vendas de menor porte foi o que mais caiu em 2017. Entre janeiro e novembro, 18.798 firmas realizaram embarques de valor inferior a US$ 1 milhão, ante 19.410 no ano passado. A segunda maior baixa foi vista na quantidade de empresas que realizaram trocas com valor entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões. Em 2017 foram 3.284 companhias, contra 3.289 em 2016.

Porém, foi registrado um aumento no número de exportadoras que fizeram negócios de grande porte, com valor superior a US$ 100 milhões. Entre janeiro e novembro de 2017, foram 369 empresas, frente a 342 em 12 meses de 2016.