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O anúncio do pacote de privatizações feito pelo governo federal na última quarta-feira (21) foi, mais uma vez, vago. Para especialistas, falta ainda detalhamentos e estudos de casos sobre cada uma das estatais que se pretende vender.

Há até mesmo uma certa confusão na comunicação do governo em relação ao número das empresas do pacote. Enquanto na coletiva de imprensa foram apresentados 17 ativos, no site do Ministério da Economia há uma lista com 13 estatais. Para além dessas listas, aventa-se ainda a possibilidade de privatização da Petrobras.

O professor do Insper, Sérgio Lazzarini, comenta que a essa altura da gestão do governo de Jair Bolsonaro, o Ministério da Economia já deveria ter feito uma listagem das estatais prioritárias, ter encomendado estudos para um detalhamento sobre o interesse do mercado em cada uma delas, além de definir quais delas estão cumprindo ou não alguma função social.

“A decisão de privatizar não significa vender tudo sem critério, sem nenhuma preocupação. É preciso estudar qual será o impacto da privatização de cada empresa para a sociedade e para as políticas públicas”, comenta o professor do Insper.

Além disso, ele destaca que o processo de privatização de estatais é demorado, já que o Congresso Nacional precisa aprovar a venda de cada uma das empresas.

Na última quarta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o governo deve encaminhar um projeto de lei de privatização da Eletrobras em, no máximo, duas semanas, após ter se reunido com os ministros da Economia, Paulo Guedes, e Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque.

Além disso, o governo estuda formas de sanar as contas da estatal para que a venda possa acontecer. Sobre a Eletrobrás, o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, lembra que a proposta do governo não prevê a chamada “golden share”, que são ações detidas pela União em privatizações que podem garantir poder de veto em decisões.

Para Laatus, isso é importante para elevar o interesse dos investidores pela estatal. Ele cita os Correios como um outro ativo de maior oportunidade, lembrando que no mercado correm notícias de que a Amazon e Alibaba estariam interessadas na estatal. “Correios é uma empresa com abragência nacional e tem uma malha já estabelecida”, diz Laatus.

Aumentar rentabilidade

Sobre estratégias que o governo pode utilizar para elevar valor de mercado das estatais, o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, diz que cada empresa terá uma forma. “Em determinadas situações é possível fatiar e vender subsidiárias e controladas. Em outros, será melhor a venda integral para não haver resíduos como ocorreu na Telebrás”, acrescentou.

De qualquer forma, Bandeira avalia que o melhor para a precificação seria vender empresas já saneadas, porém admite que, em muitos casos, isso pode ser impossível.

Na lista de privatização do governo estão ainda: Empresa Gestora de Ativos (Emgea); Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF); Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro); Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev); Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp); Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec); Telebras; Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp); Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. (Trensurb) e Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU)