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As corretoras listam estatais, bancos e varejo como as principais ações em suas carteiras para 2019. As expectativas estão relacionadas às mudanças dos governos – federal e estaduais – e o retorno do capital estrangeiro à bolsa brasileira.

Entre os papéis mais mencionados nas carteiras sugeridas estão Petrobras, Banco do Brasil, Bradesco, Copasa, Cemig, Itaú Unibanco, Magazine Luiza e Lojas Renner.

Segundo o chefe de análise da Toro Investimentos, Rafael Panonko, as atenções dos investidores estarão voltadas para a capacidade de aprovação das reformas pelo novo governo que se inicia.

“É preciso ao menos sinalizações de que Jair Bolsonaro conseguirá colocar em pauta as aprovações da reformas fiscal e da Previdência, além do ajuste nas contas públicas com a redução de gastos ou privatizações de empresas”, explica o especialista.

“Caso esse cenário político se concretize, veremos os investidores estrangeiros voltarem à bolsa brasileira e um cenário mais propício para investimentos”, acrescenta.

No ano até o último dia 21 de dezembro, por exemplo, os investidores estrangeiros retiraram R$ 11 bilhões da B3, o maior valor observado desde 2008. Os estrangeiros são responsáveis por 60% do capital observado no mercado brasileiro de ações.

De acordo com o diretor de renda variável e derivativos da Monte Bravo, Bruno dos Santos Madruga, é apenas com uma “situação fiscal mais definida” que os investidores estrangeiros voltarão para o Brasil e, consequentemente, trarão a valorização mais forte para o Índice Bovespa.

“O estrangeiro já sofreu muito com o Brasil e aceita ficar fora dos primeiros 10% de valorização do mercado para ter certeza de entrar com um cenário mais definido”, pontua Madruga e reitera que, nessa linha, “o desempenho mais forte da bolsa deverá vir somente a partir de abril”.

Surfando a onda

Junto ao ambiente de otimismo político e da expectativa de volta do capital estrangeiro, os especialistas também comentam sobre as perspectivas em relação às novas ofertas públicas iniciais de ações (do inglês, IPOs), esperadas para 2019.

Para o analista da Planner Mario Mariante, apesar de o fluxo negativo na bolsa brasileira em 2018 vir desde as eleições, em outubro, o capital voltará rapidamente a partir do momento que as primeiras expectativas se concretizem.

“As empresas que engavetaram o projeto de abrir capital em 2018, virão em 2019. Na CVM [Comissão de Valores Mobiliários] a expectativa estava em 11 IPOs, mas alguns já cogitam até 30 companhias abrindo capital”, completa.

Nesse cenário, o analista de ações da Genial Investimentos Filipe Villegas, os papéis mais cogitados para essa primeira movimentação são exatamente aqueles que se beneficiariam com as políticas de Bolsonaro.

“As primeiras alocações internacionais viriam em Petrobras, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e até mesmo Vale e B3. O mercado, então, acompanharia”, diz o analista.

A Petrobras – presente nas carteiras da Planner, Genial, Toro, Monte Bravo, Bradesco BBI, Itaú BBA e Santander Corretora – é a mais visada tanto pelo momento de recuperação da empresa como pelo próprio reflexo que as discussões ao redor de privatizações podem trazer no próximo ano.

“Banco do Brasil também surfa a onda, bem como outras empresas a nível de estado, como Cemig. Além disso, o setor bancário, grande preferência dos investidores, também continua lucrativo”, complementa Panonko, destacando uma melhora “generalizada” que viria num segundo momento, com a melhora da economia.

“Os setores de infraestrutura, energia e varejo acabam sendo boas recomendações pela estimativa de volta do consumo e crescimento no País. Mas cada uma dessas companhias apresentam um timing e um gatilho de entrada diferente. É preciso ficar de olho”, conclui o executivo.