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As reservas financeiras de investidores do varejo tradicional recuaram 4,8% até junho de 2019 para R$ 912,7 bilhões, em relação a dezembro do ano passado. O volume também é menor quando comparado com os meses de junho de 2018 (R$ 919,3 bilhões) e junho de 2017 (R$ 916 bilhões).

Os dados foram divulgados ontem em teleconferência pelo presidente do Fórum de Distribuição da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), José Rocha. “Não tem como não relacionar isso com o movimento da poupança, uma sazonalidade [mais saques no primeiro semestre]. A poupança tende a retomar no segundo semestre com o pagamento do décimo terceiro em novembro e dezembro”, explicou Rocha.

De fato, pelos dados totais do varejo ampliado (varejo tradicional + varejo alta renda), as reservas financeiras em caderneta de poupança diminuíram de R$ 730,7 bilhões em dezembro de 2018 para R$ 729,8 bilhões em junho de 2019.

Pessoa física de alta renda

Enquanto as reservas dos pequenos investidores encolheram no primeiro semestre deste ano, o patrimônio das pessoas físicas do varejo alta renda aumentou 11% no período e atingiu R$ 968,7 bilhões. Na visão de José Rocha essa evolução significativa do volume do segmento de varejo alta renda está relacionada a boa rentabilidade da renda variável (ações e fundos de ações) nos primeiros seis meses deste ano. “O Ibovespa subiu 14,9% e puxou os ganhos em renda variável”, respondeu.

Em números do varejo ampliado (tradicional + alta renda), o volume em fundos de ações aumentou 6,6% em seis meses, de R$ 17,2 bilhões em dezembro para R$ 23,8 bilhões, e o volume direto em ações avançou 16,4%, do montante de R$ 58,3 bilhões em dezembro para R$ 74,6 bilhões em junho último. Outra variação em destaque foi a de fundos multimercados, que evoluíram 11,9% no mesmo período, de R$ 92,2 bilhões para R$ 104,2 bilhões.

“Agora com a taxa de juros em queda, na casa dos 6,0%, a previsão é que até o fim do ano estejamos em 5,5% ou até 5,0%. Os investimentos como poupança, LCI, LCA, renda fixa no geral não têm mais uma rentabilidade atrativa, ou seja, gera uma migração em massa para os fundos de investimentos. A tendência é que haja essa migração para os fundos de renda variável”, aponta o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.