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O Monitor do Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,2% em julho em relação a junho, puxado pelos resultados negativos da indústria e da agropecuária. Com isso, a economia registrou alta de 0,5% no trimestre móvel (maio, junho e julho), ante o trimestre anterior (fevereiro, março e abril).

É o que mostra o indicador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). O coordenador do Monitor do PIB, Claudio Considera, afirma que o resultado de julho reforça a “armadilha de baixo crescimento” que o Brasil tem vivido desde o final da recessão econômica (2015-2016). De lá para cá, o PIB do País vem avançando em torno de 1% ao ano. “Já a renda per capita [por pessoa] está avançando 0,3% ao ano”, diz Considera. “É algo irrisório”, acrescenta.

Para o especialista do Ibre, é preciso que o governo dê respostas para a crise para além das reformas estruturais em andamento – Previdência Social, tributária e privatizações.

“Algumas medidas estão sendo feitas, como a liberação do FGTS [Fundo de Garantia por Tempo de Serviço] e a redução da taxa de juros”, avalia Considera. “Mas o problema todo é que é preciso dar partida via impulso fiscal também”, complementa o economista.

A queda de 0,2% da economia observada em julho, em comparação a junho, é explicada, principalmente pela agropecuária (-1,3%) e indústria total, puxada pela eletricidade (-3,6%), transformação (-1,1%) e construção (-1,1%).

Na comparação anual

Na comparação da série sem ajuste sazonal, o crescimento foi de 0,8% em julho, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionado, principalmente, pelo setor de serviços (1,8%), em que todos os componentes tiveram alta.

Pela demanda, o consumo das famílias cresceu 2,5%, a importação voltou a avançar (1,4% ante -2,0% no mês anterior) e as demais séries contribuíram negativamente, como consumo do governo (-0,3%), formação bruta de capital fixo – FBCF, investimentos – (-0,8%) e exportação (-2,8%).

Já na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento continua fraco (1,3% para o PIB), mas os três grandes setores têm taxas positivas, como já ocorre há pelo menos três trimestres móveis. O PIB continua desde o trimestre findo em maio de 2017, apresentando taxas trimestrais positivas, com média de 1,2% para todo o período.

Setor externo

Somente as exportações caíram 0,5% no segundo trimestre móvel encerrado em julho, em comparação com o mesmo trimestre de 2018. Os únicos componentes que apresentaram contribuição positiva foram bens intermediários (4,7 ponto percentual) e bens de consumo (0,4 ponto).

É o primeiro resultado negativo na série de exportação de produtos da extrativa mineral em um ano, reflexo do desastre de Brumadinho.

Já a importação cresceu 3,9% no trimestre móvel encerrado em julho, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018. As importações da extrativa mineral (16,8%), bens intermediários (12,2%) e serviços (4,2%) foram os destaques positivos da série.

As séries de produtos agropecuários (-6,7%), bens de consumo não-duráveis (-7,9%), bens de consumo duráveis (-15,3%) e bens de capital (-17%) contribuíram negativamente no trimestre.

O indicador da FGV mostrou ainda que, em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou aproximadamente R$ 4,107 trilhões. Já a taxa de investimento (FBCF/PIB) foi de 18,2%, em julho, na série a valores de 1995.