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A Tokio Marine começou, neste mês, a cobrir mais de 70 culturas no campo com seu seguro agrícola. A projeção da seguradora é de um crescimento de 150% em prêmios em 2019, para R$ 20 milhões, ante os R$ 8 milhões registrados no ano passado.

Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que o prêmio direto do seguro agrícola – com e sem a cobertura do fundo de estabilidade do seguro rural (FESR) – totalizou R$ 1,981 bilhão em 2018, alta de 5,8% ante 2017 (R$ 1,872 bilhão). A participação da Tokio em 2018 na cobertura era de 0,4%. A projeção é que esse valor passe a 1% em 2019.

Segundo o gerente de produtos agro da Tokio Marine, Joaquim Neto, o aumento das coberturas também vem na esteira da estratégia de expansão nacional da seguradora no setor agrícola.

“Quanto mais fizermos e pulverizarmos os riscos, mais os nossos resultados tendem a ser mais positivos, já que não ficaremos com todos os ovos na mesma cesta”, explicou o executivo.

Ele pondera, no entanto, que apesar de algum avanço vir da contratação do seguro por novos entrantes, a maior parte do crescimento projetado para a apólice agrícola está diretamente relacionado ao crescimento do volume de subvenção do governo federal destinado ao produto.

Para este ano, o orçamento para o subsídio dado pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) ficou em R$ 440 milhões. O número corresponde a um avanço de 18,9% em comparação ao visto no ano passado, de cerca de R$ 370 milhões.

Segundo Joaquim Neto, porém, o aumento desse subsídio federal para o setor acabou facilitando o crescimento no número de segurados, já que diluiu o risco e, portanto, diminuiu as taxas cobradas.

“Os agricultores que cultivam em uma região de risco elevado têm maior interesse em contratar o produto, o que eleva o risco de sinistro e piora os resultados da cobertura no balanço das seguradoras. A agricultura tem uma parcela expressiva do PIB [Produto Interno Bruto] e, por isso, é importante que haja mais recursos do governo”, comentou.

Ele reitera, ainda, que esse também acaba sendo o motivo para que as entidades representantes dos agricultores cheguem a citar cifras de até R$ 1 bilhão para a subvenção do PSR. “É importante lembrar que em 2014, o valor utilizado chegou a R$ 700 milhões. Ele já esteve bem maior do que é hoje, mas cremos que é um movimento de crescimento”, diz.

Já para o diretor executivo de produtos pessoa jurídica, Felipe Smith, a ideia é de avanço “controlado”. “O desafio de agora é o crescimento nessa área. Entramos devagar nesse setor porque é um seguro que tem muita volatilidade por causa dos efeitos climáticos, olhamos o mercado e já estamos ajustando o produto”, diz.

Smith também acrescenta que, nesse cenário de crescimento tanto da atividade econômica quanto do mercado segurador, as expectativas para a cobertura são positivas. “Pretendemos alcançar R$ 20 milhões em prêmios neste ano. Não será a nossa maior carteira, mas a estratégia é estar entre a quatro maiores seguradoras desse segmento em três anos”, complementou Smith.

Quebra de safra

Da outra ponta, os executivos comentam que a quebra da safra de soja já observada na produção de 2018/2019 trouxe alta de sinistralidade nas regiões afetadas – principalmente no Mato Grosso do Sul e no Paraná – e afetou o resultado da carteira da Tokio Marine.

“Entendemos, porém, que o maior estímulo para as contratações é a ocorrência de um sinistro e o pagamento da indenização. Isso deve trazer um maior interesse dos agricultores pelo produto e o nosso empenho está em fazer um bom serviço para isso acontecer”, conclui Joaquim Neto.