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O volume de transações com cartão não-presencial pode superar aquelas com o plástico presente em 2019. O movimento será impulsionado pela adesão aos pagamentos por aproximação e pela demanda por novas tecnologias por parte dos consumidores.

O último levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) já aponta que até o terceiro trimestre de 2018, 80% dos usuários usam o cartão de crédito nas compras online. Desse total, 66% o fazem pelo celular, alta de 11 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2017 (55%).

Em seguida vêm as compras pelo desktop (36% contra os 38% anteriores), notebook (32% ante 38%) e tablet, com 4% das transações (estável ante 2017).

De acordo com o presidente da Mastercard Brasil, João Pedro Paro Neto, o crescimento no volume de transações com cartão não-presente deverá acontecer em “algum momento de 2019”, puxado pela demanda e pela necessidade de experiências melhores ao consumidor.

“O investimento e a adaptação já estão feitos e, agora, estamos vivendo o machine learning. Com o passar do tempo, vamos evoluindo em termos de conhecimento e, consequentemente, em aprovações, e isso não deve demorar. Vamos alcançar acima de 90% em aprovações em, no máximo, um ano e meio, por exemplo”, comenta Paro Neto.

Segundo o diretor de produtos da Visa no Brasil, Alessandro Rabelo, a indústria já tem investido em ferramentas que permitam melhorar o cálculo de risco das transações e “aumentar a assertividade”. “Cada vez mais, algoritmos são aplicados para conseguir trazer uma melhor experiência para o consumidor no momento de compra, com o menor atrito possível e ter a compra segura aprovada”, afirma.

Ele reitera, ainda, que a completa adesão do protocolo 3DS 2.0 – que facilita a autenticação das transações e melhora os níveis de conversão – e o aumento da tokenização – como alternativa às informações completas dos cartões para diminuição de risco – também estão na agenda de 2019.

“Com certeza, o protocolo se tornará uma realidade no Brasil em 2019. Também esperamos um aumento substancial para a tokenização no mercado, principalmente no mundo online”, acrescenta Rabelo.

Pagamentos únicos

Dentre os principais efeitos da maior adesão do contactless (pagamentos por aproximação) e da ascensão do cartão não-presente, o presidente da Mastercard, João Pedro Paro Neto, reforça também a possibilidade de maior uso do débito e de pagamentos à vista como consequência do setor.

“O que vai acontecer é que o número de transações com débito e pagamentos únicos vão crescer exponencialmente por causa do contactless. Eles correspondem a 2/3 do mercado e essa experiência de aproximação mais facilitada para o consumidor estimula o segmento. Isso também deve trazer um crescimento ao mercado superior aos 15% vistos em 2018”, conclui. /A repórter viajou a convite da Mastercard Brasil