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Na segunda-feira (10), 37 apartamentos e flats que pertenciam à doleira Nelma Kodama, condenada pela Operação Lava Jato, serão leiloados.

Os bens, que têm 16 metros quadrados cada, estão localizados no Edifício Hotel Villa Lobos - GO INN, na zona oeste de São Paulo, que pertencia a Kodama.

O valor inicial foi estipulado em R$ 152 mil para cada um dos 37 imóveis, o que representa um desconto de 80% em relação ao preço de mercado, de acordo com a Nogari Leilões, empresa responsável pelo certame.

Esse é o segundo leilão em que os apartamentos do Hotel Villa Lobos serão colocados em disputa. Na primeira oportunidade, que aconteceu no dia 3, apenas um dos bens listados foi comprado.

Segundo o porta-voz da Nogari, é normal que a demanda na oferta inicial seja inferior à registrada nos certames seguintes.

“As pessoas costumam usar o primeiro [leilão] para analisar os bens e deixam para comprar no segundo, quando aparecem as ofertas”, disse Jorge Nogari, da Nogari Leilões.

No primeiro leilão, os apartamentos foram disponibilizados com o preço de mercado (R$ 190 mil), sem descontos.

Os bens ficam na Avenida Jaguaré, 1664. Para mais informações sobre o certame, acesse: www.nogarileiloes.com.br.

Efeito Lava Jato

Ao DCI, Nogari afirmou que os bens derivados de ações judiciais da Operação Lava Jato costumam contar com uma demanda “interessante”.

“Nós já fizemos outros leilões de bens da Nelma Kodama, além de alguns leilões com bens do [Alberto] Yousseff e de outros doleiros menos conhecidos. Sempre existe uma atração por causa da Lava Jato”, disse o entrevistado.

Além de bens do setor imobiliário, a operação já forneceu vários “veículos e automóveis de alto valor” para leiloeiras de todo o País, contou Nogari.

“A tendência é que a Lava Jato continue gerando vários leilões nos próximos anos”, indicou o especialista.

Em reportagem publicada por este mesmo jornal no final de agosto, o leiloeiro responsável pelo certame em que foi vendido o triplex do Guarujá, imóvel que causou a prisão do ex-presidente Lula, também destacou o impacto da Lava Jato para o setor.

“Os interessados [pelo triplex] tinham muito mais apego à questão histórica do que ao valor material do bem. Foi uma situação em que tivemos mais paixão do que o normal”, afirmou Luciano Marangoni, Marangoni Leilões.

O triplex foi arrematado por R$ 2,2 milhões, no primeiro leilão em que foi ofertado, que aconteceu em maio deste ano.

Outros certames contaram com imóveis de personalidades investigadas pela Lava Jato. Do ex-ministro José Dirceu, por exemplo, já foram colocados em leilão três imóveis. Bens do empresário Eike Batista também foram vendidos.