São Paulo - O faturamento dos distribuidores de medicamentos deve avançar de 10% a 15% no segundo trimestre. A projeção representa uma desaceleração das vendas, que nos três primeiros meses de 2015 subiram 19,93% frente a um ano antes.



De acordo com os dados apurados pela IMS Health e divulgados ontem pela Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), o setor faturou R$ 3,12 bilhões nos primeiros três meses do ano. Em volume, as vendas somaram 196 milhões de unidades, alta de 14,48% contra igual período de 2014.



"O desempenho veio em linha com o esperado, mas isso não quer dizer que todas as empresas tenham conseguido crescer" , pondera o diretor executivo da Abradilan, Geraldo Monteiro.



Ele lembra que, embora o setor farmacêutico seja mais resistente a crises, não deixa de ser afetado pela conjuntura do mercado nacional. "Nos próximos meses o setor deve sentir ainda mais os efeitos do cenário econômico", afirma.



Segundo Monteiro, enquanto no primeiro trimestre o setor foi beneficiado pelo reajuste de preços, que sempre movimenta as vendas dos varejistas que aproveitam para repor estoques antes da alta, no segundo trimestre os fatores negativos são o destaque.



"A renda dos consumidores está diminuindo, um fator que influencia muito as vendas de medicamentos", diz o representante. Para ele, a alta das vendas no setor depende principalmente da renda dos consumidores e da melhora no nível de emprego no País.



Preço



Outra preocupação das farmacêuticas é o aumento dos tributos. Conforme a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), a Medida Provisória (MP) 668, em discussão no Congresso Nacional, pode levar a uma alta nos custos das empresas, que serão repassados ao preço final.



Com votação prevista para essa semana, a MP prevê que a alíquota de PIS e Cofins sobre as matérias-primas farmacêuticas e os medicamentos importados seja reajustada para 11,75% e 15,79%, respectivamente. Hoje, as alíquotas aplicadas são de 9,25% e 12%.



O setor, entretanto, tem isenção desses tributos desde 2008. "Nossa preocupação é que, com a aprovação da MP, a isenção seja retirada, o que certamente vai impactar o preço dos medicamentos e, consequentemente, a produção", avalia o diretor da Interfarma, Pedro Bernardo.



No acumulado de janeiro a março desse ano, a produção de produtos farmoquímicos e farmacêuticos caiu 17,2% contra o mesmo período de 2014. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o IBGE, mesmo com a alta de 2,9% em relação ao mês imediatamente anterior, na comparação com março de 2014, a produção apresentou desempenho negativo, com queda de 9,5%.