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Com o aumento contínuo da concorrência tanto no mercado de bebidas alcoólicas quanto não alcoólicas, a Ambev terá desafios para manter resultados sólidos neste ano. A Copa do Mundo da Fifa deve ser o principal alento da companhia em 2018.

Para o analista da Upside Investor, Shin Lai, se não fosse a Copa do Mundo a Ambev teria mais dificuldades de entregar resultados mais robustos. “Além da pressão crescente da concorrência– principalmente de refrigerantes– existe o efeito da renda do brasileiro, que apesar da melhora ainda segue com avanço lento”, explica.

Em balanço financeiro referente ao exercício do primeiro trimestre do ano, divulgado nesta quarta-feira (09), a gigante brasileira reportou lucro líquido ajustado de R$ 2,61 bilhões, alta de 12,7% em relação a igual período de 2017. No entanto, os volumes recuaram 5,8% na mesma base, para 38,9 milhões de hectolitros.

“Para manter o resultado estável, a companhia precisou praticar aumentos de preços”, aponta o analista.

A cervejeira assinalou ainda uma estabilidade do Custo do Produto Vendido (CPV) nos três primeiros meses do ano, apesar da queda dos volumes. “A empresa foi prejudicada pelo aumento dos preços das commodities agrícolas”, destaca o analista da Upside.

A Ambev registrou queda de volumes da ordem de 19,4% no primeiro trimestre, no Brasil. Segundo relatório da empresa, o desempenho foi impactado pela base de comparação com igual período de 2017, quando “a indústria de refrigerantes apresentou contração de um dígito alto e nosso volume se manteve estável”, disse a empresa, e “baixo gasto discricionário” do brasileiro.

De acordo com levantamento da Euromonitor International, em 2017 a Ambev tinha 5,6% de market share no segmento de bebidas frias (que inclui refrigerantes) no Brasil, enquanto o grupo Coca-Cola detinha 32,2% e, a Pepsico, 4,4%. “O aumento da competição no mercado de refrigerantes vem acompanhado de uma busca do brasileiro por bebidas mais saudáveis, o que vai continuar impactando os resultados do setor e consequentemente da Ambev”, pondera o analista da Upside.

Ainda de acordo com o estudo “O Mercado de Bebidas Não Alcoólicas no Brasil”, da Euromonitor, há uma “grande abertura para experimentação de marcas novas, principalmente nas categorias percebidas como ‘saudáveis’. Nas demais, os grandes fabricantes seguem dominando o mercado.”

Diante deste cenário, a consultoria pontua que as fabricantes têm apostado em lançamentos, novos sabores de produtos já existentes e versões premium.

Este foi inclusive um dos trunfos da Ambev no primeiro trimestre, que reportou aumento das vendas de produtos considerados premium. “Nosso portfólio global de marcas premium, composto por Budweiser, Stella Artois e Corona, cresceu dois dígitos durante o trimestre, atendendo à crescente demanda”, destacou a empresa em balanço.

Perspectivas

Apesar do resultado enfraquecido em volumes, a perspectiva da Ambev é que as vendas de cervejas no segundo trimestre cresçam, sustentadas principalmente pela Copa do Mundo, afirmou o vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Ricardo Rittes. “Nossa visão para o restante do ano não mudou e continuamos otimistas para 2018.”