Publicado em

São Paulo - A fabricante de plásticos CRW está concentrando esforços para diversificar sua atuação no mercado interno. Com grande parte das encomendas vindo da cadeia de automóveis, a empresa vem sofrendo com o recuo na produção de veículos no Brasil.

Diante da retração das vendas no País, o faturamento anual da fabricante paulista passou de cerca de R$ 300 milhões em 2014 para os atuais R$ 200 milhões. "O volume [de encomendas] caiu, mas estamos em busca da diversificação, sempre tentando atrair novos clientes e oportunidades", disse um dos fundadores da CRW, Carlos Roberto de Campos.

Fornecedora de peças de plástico para veículos da Volkswagen e compressores para refrigeração feitos pela Embraco, a CRW já fornece componentes para a Ingênico, empresa de máquinas de pagamento eletrônico e a Legrand, fabricante de materiais elétricos.

Segundo o executivo, os dois novos clientes estão ajudando a compensar o recuo nos pedidos dos setores de automóveis e eletrodomésticos. "O que vem ajudando também é um fenômeno comum em todas as crises. Como muitos fornecedores deixam o mercado ou fecham as portas, adquirimos parte dos moldes dessas empresas e passamos a atender os clientes remanescente deles, o que gera um incremento considerável na nossa demanda", explicou.

No entanto, o volume de vendas aos novos segmentos e concorrentes dos quais a empresa herdou moldes ainda é insuficiente para compensar a dependência do setor automotivo e de linha branca. A nova produção é feita, atualmente, na unidade de Varginha (MG).

Já na unidade de Guarulhos (SP), Campos avalia que a utilização da capacidade instalada, cuja produção atende principalmente a cadeia automotiva, está em torno de 50%. De acordo com ele, as recentes interrupções na produção da Volks também prejudicaram a CRW.

A montadora decidiu antecipar para agosto as férias coletivas previstas para outubro. Em função disso, Campos também avalia conceder férias aos funcionários da CRW para adequar os estoques à parada na montadora, que responde por 22% das vendas da unidade.

Antes, a Volks teve que limitar sua produção devido à falta de peças produzidas por parceiros da montadora alemã no Brasil. "Como fornecemos para eles e a produção parou, os pedidos para a CRW também sofreram, mas continuamos atendendo [a Volkswagen]. De qualquer forma, percebemos que [o setor automotivo] está com dificuldade e as paradas acabam equilibrando os estoques deles", disse ele, sobre a queda nas vendas de veículos.

Linha branca

A CRW também sofreu o impacto da retração nas vendas de refrigeradores, em função dos pedidos vindos da Embraco. No entanto, o fato de a companhia exportar quase 90% da sua produção de compressores diminuiu o impacto negativo do mercado interno para a fornecedora de peças.

"Tivemos uma queda pequena na produção, muito ligada ao fornecimento de peças para a linha branca nacional, que teve uma retração grande", comentou. A CRW concentra a produção para eletrodomésticos em Joinville (SC), quase tudo vai para a Embraco.

De acordo com Campos, para tentar reduzir essa dependência, a fabricante também buscou dois novos clientes na região Sul, um deles do setor automotivo e o outro é a Electrolux. "Estamos trabalhando mais para conquistar novos clientes, mas a Embraco ainda responde pela maior parte das vendas", reconhece.

O executivo ressalta, porém, que a Embraco foi fundamental para o processo de internacionalização da CRW. Ele conta que, a partir de uma proposta da empresa, a CRW implantou sua primeira linha de produção fora do País: na Eslováquia. "Diferente do Brasil, o mercado europeu é muito mais estável", avalia Campos.

A fabricante de peças conta ainda com uma planta nos Estados Unidos, que também atende a Embraco. Juntas, as duas linhas fora do País tem minimizado a baixa demanda brasileira, explica o executivo. Ele observa, entretanto, que a médio e longo prazo a expansão dos ganhos da CRW vai depender da retomada do crescimento da economia do Brasil.