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Fabricantes de dispositivos e equipamentos médicos apostam no consumo reprimido e em segmentos poucos explorados para continuar crescendo no País. O setor avalia que as incertezas econômicas não devem abalar a demanda.

“Nosso mercado é um dos que menos sofre impacto em momentos assim. As pessoas não abrem mão da saúde”, afirma o CEO da Omron Healthcare, Wanderley Cunha. “Crescemos 9% no ano passado e em 2018 a meta é avançar 17%.” A empresa japonesa opera no Brasil há dez anos e produz monitores de pressão arterial, de glicose no sangue, composição corporal, inaladores, termômetros eletrônicos e dispositivos médicos profissionais.

Cunha afirma que a empresa é líder no mercado de monitores de pressão, mas tem espaço para crescer. “A categoria ainda está em desenvolvimento, não é madura. Existem 36 milhões de hipertensos no Brasil e são vendidas cerca de dois milhões de unidades de monitores por ano. Existem muitas pessoas que ainda não possuem um aparelho, há uma grande oportunidade de vendas”, esclarece.

O executivo avalia positivamente o ano até aqui e espera um 2º semestre ainda melhor. “As vendas estão acontecendo e tivemos uma média de crescimento de 10% até aqui. O 2º semestre é mais forte para a empresa, teremos uma série de ações de mídia e a expectativa é que o mercado responda, mesmo dentro das atuais condições.”

A Omron, que possui fábricas em São Paulo e Diadema (SP), anunciou recentemente a construção de uma planta em Jundiaí (SP). “Vamos investir cerca de R$ 60 milhões. A expectativa é começar a operar em 2019 e a tendência é a operação suprir a demanda do Brasil e da América Latina. Devemos aumentar nossa produção em cinco vezes no País”, estima o executivo.

O gerente geral da Abbot no Brasil, Juan Carlos Ganoa, avalia que embora as condições atuais do mercado não sejam ideais, a empresa tem desempenho positivo. “Começamos mais otimistas no 1º trimestre, mas entendemos que o cenário está menos dinâmico. Ainda assim, saúde é um setor muito resistente, costuma ser o último a entrar em crise.”

A empresa, com fábricas em Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro, produz aparelhos para monitoramento de diabetes e pressão e aposta no desenvolvimento de tecnologias menos invasivas. “Crescemos acima do mercado pelas nossas inovações. Pode não ser um dos melhores anos, mas a Abbott está bem e o Brasil segue como um dos principais mercados”, garante Ganoa.

Em 2016, a empresa inaugurou um centro de desenvolvimento no Rio de Janeiro. “Investimos cerca de R$ 20 milhões no laboratório e desenvolvemos moléculas e produtos globais no Brasil.”

De acordo com levantamento setorial do 1º trimestre, a produção, vendas, consumo e mão de obra tiveram incremento em relação ao final de 2017. “Sentimos uma melhora esse ano. O setor tem como característica ser descolado da economia. Nessa área, a demanda não muda, por fatores como a preocupação com a saúde e envelhecimento da população”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed), Carlos Goulart.

Ele admite que a instabilidade da economia pode ter uma influência negativa, mas não o bastante para causar preocupação. “O cenário afeta o orçamento do setor público e, o privado, pode ser impactado pela alta do dólar, devido à importação de insumos. Mas a demanda existe e não deve diminuir. A perspectiva segue positiva”, assinala.

Mercado externo

O CEO da Mazzaferro, Claudio Mazzaferro, conta que o plano da empresa, especializada em fios de suturas e telas cirúrgicas, é expandir a operação de exportação. “Temos 85% do market share no mercado brasileiro. Não será esse o campo para crescer. Queremos acelerar nossa penetração no mercado global, vendendo para Ásia, África, Américas e Europa.” Com uma planta localizada em São Paulo, em 2017 a empresa vendeu 53 milhões de metros para suturas, dos quais 43% foram para o mercado interno. “Enxergamos um crescimento proporcional e, até 2020, vender 70% da nossa produção para fora. Queremos nos tornar um player de referência global através de inovação. O mercado utiliza praticamente os mesmos produtos há 30 anos”, afirma Mazzaferro. O executivo revela que a empresa está investindo para competir também na área ortopédica. “Há uma demanda represada, com apenas dois ou três fornecedores no mundo. Estamos investindo aproximadamente R$ 4 milhões para trazer tecnologias que nos permita entrar nesse segmento.”