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SÃO PAULO - O Brasil teve 38 operações de fusões e aquisições na indústria de óleo e gás no primeiro semestre, alta de 170 por cento na comparação anual, disse a KPMG nesta sexta-feira.

De acordo com a empresa de auditoria e assessoria financeira, a quantidade se aproxima do recorde de 40 negócios fechados em todo o ano de 2001. Em 2017, foram 28.

"Acho que o primeiro ponto (para esse aumento) é a gestão do governo nas rodadas de licitações, tanto na parte de concessão, quanto na de partilha. O governo tem feito uma agenda mais forte desde 2017", afirmou Paulo Guilherme Coimbra, sócio da KPMG.

"Tem também o fato de mudanças regulatórias. Isso facilitou muito o destravamento da parte de partilha e ajudado a atrair grandes operadores internacionais", acrescentou, citando a não exigência de operador único e novas regras de conteúdo local, além da própria alta do petróleo no mercado internacional.

A reguladora ANP permitiu em abril que petroleiras adotem em contratos antigos novas regras de conteúdo local, consideradas mais simples e flexíveis pelo mercado.

Grandes empresas, incluindo Petrobras, Exxon Mobil e Equinor aderiram a essas regras, ao passo que o governo projetou um aporte de 16 bilhões de dólares em Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, após as mudanças.

Em paralelo, o governo fez dois grandes leilões de petróleo no primeiro semestre, um sob regime de concessão e outro sob regime de partilha de produção.

Para setembro está marcado mais um certame, envolvendo áreas do pré-sal, enquanto também há a expectativa de um leilão da chamada cessão onerosa para novembro.

Coimbra diz que há riscos à manutenção desse ritmo de fusões, diante de incertezas eleitorais e cambiais, mas não prevê grandes impactos nas regras já "estruturadas".

 

(Por José Roberto Gomes)