Publicado em

A maturidade do mercado de energia no Brasil tem atraído grandes empresas do setor para a comercialização. Avanços no regramento, evolução tecnológica e perspectiva de maior abertura são responsáveis por essa tendência.

“As grandes empresas estão atentas a essas oportunidades. Nos últimos anos, desenvolvemos novos modelos de negócios de acordo com as necessidades de clientes que desejam maior poder de escolha”, declarou o presidente da CPFL Energia, André Dorf, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (03), em São Paulo. Na ocasião, a companhia anunciou o lançamento da marca CPFL Soluções, que unificou as operações de comercialização de energia, eficiência energética, geração distribuída, infraestrutura energética e serviços de consultoria.

Em 2017, o grupo já havia criado a empresa Envo, voltada para a atuação no mercado de energia solar para clientes residenciais e comércios de pequeno porte.

Neste ano, também foram observadas movimentações da Enel, que recebeu certificação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para atuar como comercializadora varejista, e da Engie, que em agosto anunciou a compra da consultoria especializada em gestão de energia, GV Energy. Já a AES Tietê tem investido em projetos de geração distribuída de energia solar fotovoltaica, para venda direta para clientes comerciais, como as drogarias Araújo, em negócio firmado em abril.

Dorf avalia que avanços regulatórios e tecnologia mais acessível ao setor elétrico têm gerado essas oportunidades. “O mercado livre de energia é um exemplo disso. Era praticamente inexistente até os anos 2000, hoje representa cerca de um terço do setor.”

A vice-presidente de operações de mercado da CPFL, Karin Luchesi, destaca que hoje há uma gama maior de clientes com acesso ao ambiente de livre contratação. “Antes só as grandes empresas discutiam mercado livre, agora vemos clientes menores. Esperamos que isso evolua para outros tipos de consumidores.”

A executiva acredita que isso irá gerar uma discussão quanto a robustez das comercializadoras para atuar no segmento. “Esse agente terá que oferecer suporte e garantias para fazer frente a flutuação de preços para clientes com menor conhecimento sobre o setor.”

Diversificação

Segundo Karin, a integração das equipes de negócios que integram a CPFL Soluções já havia ocorrido no início do ano. O faturamento da nova empresa é estimado em R$ 4,5 bilhões. “A operação mais relevante é a de comercialização de energia. Geração distribuída também é representativa, mas é um negócio mais novo.”

Dorf destaca que a empresa, com foco no mercado corporativo, nasce com as operações estruturadas. “A marca já tem carteira de cliente, projetos e duas mil pessoas por trás.”

Ele salienta que é difícil mensurar o market share da CPFL Soluções, porque esse mercado “ainda está nascendo. “A empresa prevê investimento de R$ 176 milhões nas áreas de energias renováveis, comercialização, geração distribuída e eficiência energética em seu plano 2018-2022.”