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Apesar da insegurança do mercado em relação à Petrobras, a participação de empresas estrangeiras em mais um leilão do pré-sal sinaliza que o setor continua promissor.

“Os parceiros da Petrobras se mantiveram firmes e participaram dos consórcios nos três blocos [arrematados] ontem. Isso demonstra que grandes grupos econômicos acreditam que o Brasil irá garantir segurança jurídica e cumprir suas obrigações com a estatal”, avalia o sócio de óleo e gás da KPMG, Anderson Dutra. Nesta quinta-feira (07), a 4ª Rodada de Partilha da Produção do pré-sal arrecadou R$ 3,15 bilhões em bônus de assinatura com três blocos arrematados – Três Marias, Uirapuru e Dois Irmãos. O de Itaimbezinho não teve interessados.

Para o sócio da Mesa Corporate Governance, Luiz Marcatti, o certame foi mais tranquilo do que o esperado. “Dentro da insegurança vivida nos últimos dias, o fato do leilão ter ocorrido e arrecada todo este valor foi muito positivo”, destaca.

Especialistas acreditam que a postura do governo diante da greve dos caminhoneiros e a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras causaram tensão no mercado, o que poderia ter reflexos no leilão. “A maneira que o governo fez concessões criou um medo de excesso de interferência política nos processos da empresa”, acrescenta Marcatti.

Durante a cerimônia de abertura da rodada, tanto o presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone, quanto o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, fizeram declarações no sentido de garantir que não haverá interferência estatal na política de preços da Petrobras. Marcatti acredita que a indicação de Ivan Monteiro como sucessor de Parente ajudou a acalmar o mercado. “O novo CEO sinaliza uma continuidade do trabalho que vinha sendo feito, por se tratar de um nome que já fazia parte da gestão.”

Para os especialistas, a participação de grandes petroleiras no leilão, já presentes em rodadas anteriores, sinaliza que, ao menos por enquanto, não houve abalo na atratividade em exploração. “Não tivemos surpresas. As mesmas empresas apareceram e a Petrobras decidiu operar todos os campos. Foi positivo”, afirma Dutra.

Ele explica que o bloco de Itaimbezinho não teve interessados por questões logísticas. “O custo da exploração e produção dessa área era um pouco mais alto. A tecnologia exigida não é exatamente a mesma dos demais blocos. Do ponto de vista comercial, a atratividade era baixa.”

Para Marcatti, o mercado apostou que a Petrobras seguirá sem sofrer grandes interferências do Estado, mas estará atento a qualquer mudança. “Futuros negócios dependem de um entendimento de que, apesar de acionista, o governo não vai interferir nas operações. O leilão ocorreu dentro do esperado, o que é importante para diminuir essa instabilidade que foi criada.”

A próxima rodada está prevista para 28 de setembro e ofertará as áreas de Saturno, Titã, Pau-Brasil e Sudoeste de Tartaruga Verde. O calendário prevê leilões até 2021: a 6ª Rodada de Partilha de Produção, com áreas no polígono do pré-sal, e a 16ª, 17ª e 18ª Rodadas de Licitações de Blocos, no regime de concessão.