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A Fundição Tupy aposta na expansão mundial de ferro fundido vermicular, uma liga metálica especial à base de ferro e magnésio usada em blocos de motor diesel, como forma de exportar tecnologia embarcada e se firmar no disputado mercado mundial de fundição.

A tecnologia, desenvolvida pela Tupy, era inédita no Brasil, e somente outras duas empresas no mundo dominam o processo e fabricam o produto em larga escala, o que contribui para elevar as margens do segmento.

A Fundição Tupi aumentou em 10% a produção do ferro fundido vermicular no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

O ferro CGI tem praticamente o dobro da resistência mecânica do ferro fundido cinzento, tradicionalmente usado em blocos de motor, e está se transformando na vedete das montadoras que produzem veículos movidos a diesel, em substituição inclusive ao ferro cinzento e ao alumínio.

Segundo o presidente da Tupy, Luiz Tarquínio Ferro, o item é o responsável pelos últimos negócios fechados pela empresa, sendo a porta de entrada da empresa em novos mercados. O bloco é mais leve e possui maior resistência, sendo possível fazer motores mais potentes do mesmo tamanho, ou então motores mais compactos com a mesma potência. "Estamos buscando sofisticar a tecnologia e usar o capital humano como forma de manter a vanguarda e nos distanciarmos da concorrência".

A fatia de produção do fundido vermicular representa 15% dos blocos de motor, hoje responsáveis por cerca de 60% do faturamento total da Fundição Tupi. Ao longo de uma década a empresa vinha trabalhando para dominar o processo de produção do vermicular e, com isso, capacitar-se para produzir blocos e cabeçotes de motores com essa liga.

O presidente da Associação Brasileira de Fundição (Abifa), Luiz Carlos Koch, que está em Joinville (SC) para a Metalurgia 2006, o avanço do bloco vermicular impediu uma escalada do alumínio no ramo automotivo, que apesar de caro, avançava no setor.

"Com o vermicular há uma reversão dessa tendência", avalia Koch. O executivo prevê que em 10 anos o produto esteja difundido no setor, garantindo a sobrevivência do ferro como fonte primária no setor automotivo.

Após ter concluído, em 2003, o domínio do processo e produzido e testado as primeiras amostras, a Tupy foi contratada, entre 2004 e 2005, para desenvolver e fornecer regularmente blocos para a Ford Europe, na Inglaterra - para os veículos Jaguar (bloco V6) e os da Range Rover (bloco V8). Outros contratos foram posteriormente fechados com a Audi, na Alemanha, e a Toyota Racing Development, dos Estados Unidos, que produz carros de corrida da Fórmula Nascar.

A Tupy aplica desde 2001 o produto em blocos de motores. Tarquínio comenta que o bloco possui grande demanda na Europa e possui grande potencial com grande utilização na ampla frota européia, que alcança 75% de veículos a diesel. A empresa atualmente produz os blocos em Joinville, mas também planeja a produção em Mauá (SP), a partir de 2007, com foco em veículos pesados, como pick-ups e caminhões, mantendo o segmento leve em Joinville.

Uma vantagem adicional do produto é de que esse blocos proporcionam combustão mais eficiente, sendo assim menos poluentes. O kg do produto custa em média 50% a mais do que os tradicionais produtos de liga cinzenta, mas o projeto final do motor pode compensar o investimento, principalmente pela redução de insumos.

"Investimos numa tecnologia embarcada pela qual o consumidor paga", diz o presidente da Tupy. Fabricantes de pick-ups e de caminhões sinalizaram grande interesse pelo produto, o que justificaria a utilização da unidade de Mauá, diz. A empresa já trabalha com produtos para 2010 .

Além do avanço da liga vermicular, Taquínio ressalta que a demanda de usinagem tem crescido no ramo de fundição. Do faturamento da empresa, 20% provêm de autopeças, 10% de peças diversas, 60% de blocos e 10% de usinagem.

Apesar da proporção, o executivo comenta que esse ramo necessita muito investimento físico e não estaria centrado no foco da empresa, que atualmente atende pedidos. Em 2005, a receita operacional líquida da Tupy alcançou R$ 1,67 bilhão, 14,1% maior que a de 2004, e as vendas físicas somaram 468 mil toneladas. Os resultados do último semestre deverão ser divulgados até quinta-feira.

A Metalurgia 2006 - que termina sexta-feira - é o principal evento do setor este ano e reúne cerca de 300 expositores com representantes de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, além de quatro expositores que vieram especialmente da China, Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. A expectativa de negócios este ano é de R$ 150 milhões.

A Fundição Tupy aposta na expansão mundial de ferro fundido vermicular (CGI), uma liga metálica especial à base de ferro e magnésio usada em blocos de motor diesel, para exportar tecnologia embarcada e se firmar no disputado mercado mundial do segmento. A tecnologia foi desenvolvida pela Tupy e somente outras duas empresas no mundo dominam o processo e fabricam o produto em larga escala.

A Fundição Tupy aumentou em 10% a produção do ferro fundido vermicular no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O ferro CGI tem praticamente o dobro da resistência mecânica do ferro fundido cinzento, tradicionalmente usado em blocos de motor, e está se transformando na vedete das montadoras que produzem veículos movidos a diesel, em substituição inclusive ao ferro cinzento e ao alumínio, segundo o presidente da Tupy, Luiz Tarquínio Ferro. O item, segundo ele, é o responsável pelos últimos negócios fechados pela empresa, sendo a porta de entrada da empresa em novos mercados.